Revéillon na gaveta das cuecas

Festa na gaveta das cuecas de Adamastor Goldman

Às amigas e aos amigos que me leram em 2008, a população da gaveta de cuecas de Adamastor Goldman (parcialmente representada na foto acima) deseja um 2009 farto e desnudo. Que todas as tristezas sejam penduradas no cabide ao lado da porta do ano novo, e que possamos penetrá-lo com carinho e dedicação.

Boas festas a todos, vejo vocês no ano que vem.

Beijos e abraços do Adamastor Goldman, o sensível.

P.S. O Anão Chumbinho, que está escondido na foto, também manda lembranças.

O precipício enevoado

Ora, vejam só. Deve ser coisa do fantasma dos natais passados.Família Damiano

Estava eu refletindo sobre a vida, o fim do ano, o espírito natalino e outros assuntos quando se abateu sobre mim a lembrança nítida do filme “Never so Deep”/”Nunca Tão Fundo”, de Gerard Damiano em 1981. Sim, é justamente nesse filme que a singela piada do “bucetão bucetão” aparece, ainda nas preliminares orais de uma cena relevante para o desenrolar da trama. A recordação estava no (nunca tão fundo) precipício enevoado das minhas memórias em película.

Justo o inesquecível Gerard Damiano, diretor dos clássicos “Garganta Profunda” e “O Diabo na Carne de Miss Jones”. Entre tantos outros bons exemplares da cinematografia explícita que você pode não ter visto, mas os publicitários que vendem tudo aquilo que você consome viram.  Damiano, que nos deixou  nesse ano de 2008, em outubro, aos 80 anos. Que o advogado do Diabo lhe garanta um julgamento justo, amém.

A homenagem da foto acima eu humildemente extraí do blog da Georgina Spelvin. Sim! A eterna Miss Jones tem um blog! Abraçados, a “família Damiano”, da esquerda para direita (de quem entra): Ms. Annie Sprinkle, Ms. Veronica Vera, Mr. Gerard Damiani e ela, Ms. Georgina Spelvin (love ya, Miss Spelvin!). A propósito, acho o máximo o tratamento de “miss” que é dispensado a ex-atrizes pornôs. Soa como um título nobiliárquico. Miss Sharon Mitchell. Eu casaria com uma mulher que se apresentasse assim. Elas merecem. Na verdade, merecem muito mais. Quem sabe um dia chegaremos lá. Lady Jenna Jameson, duquesa da Cornualha. Soa bem.

*  *  *

Bettie Page e Irving Klaw

Não posso deixar de registrar a partida de outra grande figura da nossa história sexual: foi-se, na semana passada, aos 85 anos, a inigualável Bettie Page, a Rainha das Pin-Ups. Você aí que chacoalhou a bundinha no show da Madonna, saiba que, não fossem Bettie e as outras grandes do seu tempo (como Tempest Storm, Lili St. Cyr - “God bless Lili St. Cyr”), provavelmente o espetáculo perderia em saltos plataforma, sutiãs de cone, chicotinhos e reboladinhas.

(A Madonna nunca foi uma cantora nem uma atriz talentosa. Seu grande e inegável mérito reside na capacidade de reconhecer, resgatar e transformar elementos e figuras sexualmente relevantes, do passado e do presente, e comercializá-los na sua personagem “putonna”).

Na foto ao lado, criador e criatura: Bettie e seu fotógrafo Irving Klaw. Atrás de uma grande mulher, sempre há um grande nerd para fazer dinheiro com ela. Lembrem-se, na idade da pedra lascada dos anos 50, a pornografia era artesanal e distribuída pelos meios disponíveis: correio e lojinhas suspeitas. Catálogos de produtos chegavam às peludas mãos dos hominídeos de então - catálogos com fotos (fotos para pendurar, daí as “pin-ups”), entre as quais a série sado-maso-lesbo-chic de Irving Klaw e Bettie Page que mudou o mundo, mesmo que a maioria não saiba. Ok, nunca se esqueçam: os publicitários e a Madonna sabem. De tudo. Daqui a 5.000 anos, os historiadores do futuro terão duas fontes de pesquisa sobre nossos tempos, e vocês já imaginam quais serão, certo?

Enfim, como toda grande musa vive nas brumas do mistério e da melancolia, Bettie aposentou-se no auge de sua carreira, em 58, e nunca mais deixou-se fotografar. Foi enterrada em Los Angeles, a metros de distância de sua contemporânea mais famosa, Marilyn Monroe. Deitam-se as duas deusas, lado a lado, à espera do juízo final.

*  *  *

Às amigas e aos amigos do blog, esta NÃO é a última postagem do ano. Mas talvez seja a última antes do natal. Nesse caso, antecipo-me, desejando a todas e a todos um natal úmido e túmido. Que papai noel peludo abençoe todos vocês, hohoho.

Reencontro marcado

Um homem se constrói sobre os alicerces sólidos da sua memória. Ainda que inventadas, a poesia de suas lembranças edifica seu caráter, pavimenta suas paixões e orienta seus sonhos de um futuro próspero e lúbrico.

Ora, ninguém nasce cínico nem piloso. É uma arte que se aprimora com o tempo e com as calosidades que a vida traz. Mas há de se começar bem jovem, com a mão na enxada, cuidando da plantação.

No meu caso, quando era bem menino, não havia internet e o seu estoque infinito de putaria, disponível no conforto dos nossos lares. O videocassete, aparelho revolucionário que eu considero o grande difusor do sexo explícito, estava apenas começando. Ainda era um eletrodoméstico do núcleo rico da novela das oito.

As revistas Playboy, portanto, eram uma fonte mais acessível para se encontrar com as partes mais rosadas da anatomia feminina. Eu disse rosadas? Minto. Nos anos 80, nos encontrávamos, felizes, com o misterioso negrume dos pêlos.

Digo para a juventude que me lê: não havia espanto, as mulheres eram naturalmente acarpetadas, era o normal. Até 1985, o ano em que vimos…

Cláudia Ohana, nossa Isabella Rosselini cabocla.

Pergunte a qualquer marmanjo com idade entre 35, 40 anos hoje. A molecada se encontrava e dizia: “você viu a Cláudia Ohana??” Era um misto de fascínio, tesão e terror. “A Cláudia Ohana vai te pegar”. Ou ainda, pouco tempo depois, um grande amigo meu (não vou citar nomes) disse, durante a projeção do filme Kuarup do ex-Claudia-Ohana Ruy Guerra (o filme é uma merda mas há ótimas mulheres nuas nele): “se a Cláudia Ohana ficar pelada a tela vai escurecer!”

Uma noite sem estrelas, um sono sem sonhos, o vazio escuro antes do Big Bang. A vida devia ser assim antes de eu nascer.

Era, de fato, o alvorecer do Homem. Diante daquele monolito negro, eu pulei, urrei, joguei meus brinquedos para o alto, cobri de porrada meus companheiros. E jurei: havemos de nos reencontrar, ainda que seja no século XXI.

As primaveras foram se sucedendo e a imagem da Cláudia reverberava nos adolescentes, adultos, pais de família.

Finalmente, cumpro minha promessa. Derramo jatos de lágrimas sobre a revista photoshopada de 2008, eu, Adamastor Goldman, a caminho do meu entardecer, e Cláudia, eternamente jovem, seu jardim aparado porém ainda vistoso, o delgado portal para uma dimensão em que somos ao mesmo tempo meninos, homens, idosos e bebês chorões.

*   *   *

Toda essa conversa me fez lembrar de uma ocasião especial, muitas décadas atrás.

Apreciava eu tranqüilamente uma fita de sexo explícito, na escuridão e conforto uterinos do lar. Não me recordo qual o filme, mas algum da época que foi alugado por mim, J.F., R.V. e mais outros comparsas (alguns dos quais me lêem neste momento). Repito: o videocassete era o e-mule dos anos 80, as fitas eram compartilhadas e comentadas pelos amigos.

Mas voltando, eis que surge uma mulher, obviamente nua pois se tratava de um filme de sacanagem, com a maior depressão vaginal que um ser humano possa ter ou sequer imaginar que alguém poderia ter e continuar sendo chamado de humano. Um verdadeiro precipício enevoado logo abaixo do umbigo. Muitos anos depois, continuo sem ver nada igual, nada sequer próximo - pelo menos, nada que envolvesse a necessidade de um cirurgião e transfusão de sangue para consertar a bagunça.

E antes do sexo oral, o ator diz, estupefato:

- Que bucetão! Que bucetão! - e a mulher ralha:

- Não precisa dizer isso duas vezes… - no que recebe como resposta:

- Eu não disse duas vezes…

São essas piadas grossas que me fortalecem e me edificam. Penso nelas antes de dormir o sono dos justos e dos justiceiros.

Sobre mulheres e musas

Vera Fischer é a Super Fêmea (arte no cartaz do mestre Benício)

Vera Fischer é a Super Fêmea (arte no cartaz do mestre Benício)

Por que algumas mulheres são musas, enquanto outras são apenas gostosas? Qual a característica que diferencia, através dos tempos, Greta Garbo, Marilyn Monroe, Ava Gardner, Vera Fischer, Ivete Sangalo e tantas outras?

Pois digo, não estamos falando somente de corpinhos deliciosos, que tanto amamos e queremos consumir entre as refeições. Trata-se de questão sócio-espiritual sobre a qual precisamos nos debruçar sem pudores, especialistas sérios que somos.

Como ponto de partida da minha ontologia pornográfica, assumo que todas as musas são, comprovadamente, desalegres. É um fato que as musas precisam ser temperadas no sal das suas lágrimas, ao longo dos anos. Hão de possuir uma tristeza atávica, um esgar de desamparo, duas conjuntivas rosadas e, não raro, um especial buquê com notas de channel e jack daniels.

Para alguns sujeitos abonados, é possível fazer uma mulher bonita feliz. Dê-lhe flores. Jóias. Um casamento no Itanhangá Golfe Clube em São Conrado, no Rio de Janeiro. Mas uma musa? A Luma de Oliveira, lembrem da Luma de Oliveira, qual o ser terreno capaz de secar seus pingentes de diamantes, derramados sobre todos nós? Eu respondo, NINGUÉM, nem o sujeito mais rico de um grande país emergente seria capaz de fazê-lo.

As musas possuem um papel cristiânico no planeta: elas vieram para sofrer por todos, e dessa forma nos redimem. Nós, homens, nunca entenderemos as mulheres, mas as compreendemos. É a vida. Isto acontece porque a mulher ultrapassa o entendimento.  Já a musa, por sua vez, ultrapassa a compreensão. A diferença é sutil porém fundamental. A musa será sempre uma incompreendida, eis a derradeira razão da sua infelicidade. Ela buscará em nós algo que não saberemos retribuir. E a nossa incapacidade de doar compreensão muitas vezes terminará em barracos, tragédias, porres homéricos em boates gays com direito a strip, ou simplesmente uma vida em reclusão, envelhecendo em tonéis de carvalho.

Por conseqüência eu compreendo, com certo enfado e alguma decepção, os casamentos de sonho da Juliana Paes e da Sandy. Mulheres… simples mulheres… amigos, por essas e outras é que sempre retorno, como bom afilhado que sou, aos seios da minha madrinha Xuxa. Ela precisa da minha incompreensão, eu preciso da sua infelicidade. É a nossa simbiose de solidões, até a morte nos separar.

O mundo do entretenimento

Capa da Revista Manchete em 1984

Capa da Revista Manchete em 1984

Depois de um longo e evangélico inverno, parece que muitos órgãos de comunicação voltaram a ser dominados pela indústria da pornografia.

Certo, sou um otimista incurável. Ainda temos um longo caminho para retomar as madrugadas televisivas dos pregadores e devolvê-las às pregas. Mas, repito: a baixaria está ganhando força. Vejam só que “topless” é das palavras mais buscadas no site da globo.com.

Nesta semana que passou, o mundo do entretenimento calhorda foi surpreendido com duas notícias, obviamente plantadas pelos Senhores da Sacanagem.

Na primeira notícia, Roberta Close, ex-mito, ex-travesti, ex-transexual, ex-homem, anuncia que posará nua novamente e que “não recebeu proposta para fazer filme pornô”.

Sabemos por experiência que, quando alguém aparece dizendo que “não fez um filme pornô“, só falta a divulgação da data da festa do lançamento do DVD (por favor, me convidem).

A segunda notícia, que surgiu sabe-se lá de onde, foi a de que o respeitado Grupo Sexxxy realizou uma pesquisa entre seus peludos clientes em que perguntou: “que celebridades você gostaria de assistir em nossos filmes artísticos-e-com-história?”

Não sei quem perguntou, nem quem respondeu. Não sei como alguém respondeu. Pra minha casa não ligaram, pra cá só ligam as senhorinhas da Creche do Menino Jesus da Ceilândia, a quem eu costumo informar que só adotarei a pobre menina Queyllen se ela for vacinada e maior de idade.

Pois bem, é com satisfação e saliva que reproduzo a suspeitíssima listagem abaixo:

1º Viviane Araújo
2º Carol Miranda
3º Sabrina Sato
4º Mulher Moranguinho
5º Mulher Melancia
6º Roberta Close
7º Sabrina Boing Boing
8º Fabiana Andrade
9º Nana Gouvêa

Por uma coincidência inexplicável (ahã), quem é que apareceu na listagem? Ela… a eterna musa de Erasmo Carlos, na sexta posição. Interessante também que nenhuma das divas relacionadas possui contrato com a Rede Globo… e se querem saber da minha opinão: VIVA VIVIANE, você merece, garota! É o reconhecimento do seu trabalho! E tenho dito. Nada a concluir, só a constatar.

*  *  *

A imagem inicial deste texto remete aos tempos em que havia uma conceituada revista semanal que botava uma mulher gostosa semi-nua na capa com chamadas de reportagens sérias e algum colunismo social. Cabeludos como eu tinham um bom motivo para ir aos barbeiros, locais onde indefectivelmente a Manchete era cortesia da casa.  Eu apreciava em público e na plena luz do dia, por exemplo, a Xuxa (na sua fase mais legal, quando ela era cachorrona) e de tabela, pra não pegar mal, aprendia sobre os dissabores da Transamazônica ou do Projeto Calha Norte. Ir ao barbeiro era um evento de alto aprendizado, sexual e cultural. Bem mais instrutiva do que a Revista Caras.

E já que estou falando em Manchete, Xuxa e Roberta Close, registre-se: eu lembro desse programa aqui embaixo…

O sonho olímpico de todos nós…

…enfim realizado pelas nadadoras britânicas da modalidade maratona aquática, medalhistas de prata e bronze. Parabéns para elas!

Entrou água…

…nos sonhos olímpicos da equipe grega de pólo aquático feminino, derrotada pelas australianas.

(E já escrevi sobre este belo esporte de contato, bem aqui.)

Entrou areia…

…nos sonhos olímpicos da dupla mexicana Candelas e Garcia (na foto acima).

O Ninho do Pássaro

O Ninho do Pássaro

Saudações olímpicas aos amigos do blog.

Alguns de vocês podem não saber mas, entre as minhas várias formações, está a de arquiteto multitalentoso de construções de duplo sentido. Às vezes a modéstia me impede de dizer que aquele rapaz, meu discípulo Oscar Niemeyer, foi um dos parceiros de inesquecíveis noites empoeiradas do cerrado, época em que afagávamos a terra e fecundávamos o chão de onde nasceria a nossa Capital Federal (mas se vier bater na minha porta clamando por paternidade eu nego). Durante o processo, desenhamos muitos símbolos fálicos que viriam a se tornar as sedes do poderes nacionais.

Enfim, anos atrás, os companheiros chineses me procuraram com um sonho: construir o mais grandioso e escancarado estádio do mundo, o palco dos Jogos Olímpicos de Beijing, em 2008.

Topei o desafio e rabisquei, com poucos traços firmes e fluidos, o esquema que ilustra este texto. Em mandarim, o nome do estádio seria “A Grande Vulva”, porque na China quase tudo tem que ser grande e visível para os onanistas do espaço sideral. Claro que, se fosse no Brasil, rapidamente seria apelidado de Bocetão. Mas os chineses são mais poéticos e sutis do que nosotros brasileiros, daí a bela alcunha “Ninho do Pássaro” para o oficialmente batizado ”Arena Poliesportiva Camarada Lírio Mário da Costa”.

Percebam na Grande Vulva a amplitude dos arcos, o arrojo moderno das curvas, a preocupação ecológica da preservação da mata nativa e a facilidade de acesso, com amplo estacionamento.  Especial atenção para os anexos em que se disputarão as modalidades úmidas (o Cubo D’água ou, simplesmente, Cuzão). Toda essa beleza sem esquecer dos rígidos requisitos que serão atendidos para abrigar, com máxima segurança, os corpos suados de atletas do mundo inteiro.

É como eu sempre digo aos meus jovens alunos: a arquitetura é uma arte. E a obra inteira do artista é fruto de sua obsessão por uma única idéia. Não desistam das suas idéias, pois um dia elas poderão tornar o mundo um lugar melhor para se viver. E o tarado incompreendido de hoje poderá ser o gênio de amanhã.

Momento banquinho e violão

E tem gente que prefere o João Gilberto…

(pra quem ainda não sabe ou não percebeu, esta música da Carla Bruni é a versão original da trilha sonora do Peugeot 307, que passa na TV)