A melhor mulher do mundo (2) – a importância de ser fiel

Scheila Carvalho, sem comentários.

O maior calhorda do mundo é aquele que bate no peito e diz, eivado de suas certezas: “não olho pra mulher alguma que não seja a minha mulher”. Não percebe, submerso no pântano da própria insensibilidade, que a maior declaração de amor que poderia dar à sua amada é justamente a admissão pública de que, entre tantas outras de notáveis qualidades estéticas (fotoxopadas ou não), foi Ela, o Amor Único da Sua Vida, a escolhida para dividir os fluidos corporais, o ciclo menstrual irregular e as tais da alegria e da tristeza e da saúde e da doença.

Não sabe o canalha, ou intencionalmente oculta, que o amor é uma experiência religiosa e, como tal, exige disciplina e sacrifícios em prol de uma recompensa maior. Não há como fugir dessa via-crúcis. A fidelidade é sim um sacrifício voluntário, e este sacrifício é a coroa de espinhos de todo o relacionamento monogâmico. É preciso a compreensão de que a tentação engrandece a fé.

Ora, não vou tergiversar a respeito. A fidelidade é para poucos e bravos camaradas. Todavia eu, se fosse mulher, desconfiaria daqueles que não dispendem uma gota de saliva por Scheilas e congêneres. Um dia, amiga, esse sujeito bonzinho ao seu lado vai te acordar com uma faca no seu pescoço ou trocar você pela estagiária gordinha de aparelho nos dentes, o que for pior – sabe-se lá o que passa na mente opaca desse seu parceiro de cama.

O homem que contempla as outras, quando encara a sua amada, diz: “olhei para todas mas só vejo você”.

*   *   *

É uma madrugada de edredom. Chove. É um clichê, mas você realmente dorme aquele famoso sono dos justos. O telefone toca.

- Adamastor… socorro Adamastor…

Daqui a duas horas precisa estar de pé para ir trabalhar. Só você sabe o estrago que acordar de madrugada faz ao seu dia. Pensa que deve mudar o número e retirá-lo do catálogo. E ralha:

- Juliana, não ligue mais pra minha casa, em horário nenhum! – E desliga.

Sua mulher nem se mexeu, continua ferrada no sono das justas. Você filosofa sobre como a temperatura dela é agradável: fresca no verão, cálida no inverno. Então, se aproxima do seu corpo, por debaixo da coberta. Passa a mão na sua bunda e fecha os olhos, pensando, “Scheila, eu te amo”.

Comments (5)

  1. Nordestina wrote::

    Definitivamente, a mente desse centenário que nos escreve é um terra fértil que precisa ser arada. Eis uma voluntária.

    Tuesday, April 28, 2009 at 22:27 #
  2. Zecassan wrote::

    Adamastor,
    A Juliana em questão seria a Paes? Se for, te digo que no casamento dela me confessou pensar em vc o tempo todo no altar. Na próxima vez que ela for lá em casa mostro suas fotos esquiando na Suiça.

    Wednesday, April 29, 2009 at 16:01 #
  3. Zecassan, por favor, diga a ela que se quiser ficar comigo, vai ter que descasar. Sou do tipo possessivo.

    Nordestina, não entendi bem esse papo de “ser arado”. Sou do tipo arador.

    Wednesday, April 29, 2009 at 22:12 #
  4. Andre Blak wrote::

    Não entendi nada do que você escreveu. Só prestei atenção na figurinha lá em cima.

    Thursday, April 30, 2009 at 17:42 #
  5. AROEIRA wrote::

    Esse André Blak é muito burro, hein!!!!

    Thursday, August 12, 2010 at 00:03 #