Pier Paolo Pasolini

boschPasolini tem uma das mais contundentes, chocantes e polêmicas carreiras da história do cinema. Como outros tantos cineastas italianos, começou como assistente de célebres nomes do neo-realismo. Nos anos 60, se notabilizou como um dos grandes do cinema italiano, criando obras antológicas como O EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS, TEOREMA e POCILGA.

Encantava com seqüências grandiosas repletas de figurantes nus ou trajando imponentes figurinos e sempre envoltos por cenários grandiosos. Esbanjava cinismo e sarcasmo e adorava chocar, abusando da sexualidade e da escatologia que revirou estômagos de muitas gerações de cinéfilos. Em TEOREMA (1968), faz um anjo seduzir toda uma família de burgueses decadentes. Em POCILGA (1969) criou um personagem que só consegue se relacionar com porcos.

Influenciou e foi influenciado por muitos gênios do cinema, tais como Fellini, Jodorowsky e Glauber Rocha, mas também colecionou antipatias oficiais. Era militante gay numa época em que a grande maioria considerava isso um crime e nunca perdia a chance de atacar ferozmente a igreja, a política e o moralismo nos seus filmes.

Acabou sendo assassinado por um suposto “amante” que mais tarde alegou que o crime fora cometido por questões políticas. Isso foi em 1975, pouco depois de lançar o seu filme mais assustador SALÓ, OS 120 DIAS DE SODOMA, uma alegoria ambientada na segunda guerra, onde burgueses nazi-fascistas torturam lindos meninos e meninas até a exaustão, cortando-os em pedaços e fazendo-os, inclusive, comer merda.

Mas essa resenha é pra saudar a sua TRILOGIA DA VIDA composta por DECAMERON (1971), CONTOS DE CANTERBURY (1972) e AS MIL E UMA NOITES (1974). Pasolini explorou debochadamente tudo o que podia sobre religiosidade, lutas de classes e sexualidade humana, filmando a literatura burlesca da idade média típica de três regiões distintas (a Itália de Bocaccio, a Inglaterra de Chaucer e o lendário popular do Oriente Médio). Os três filmes são praticamente um só. Vistos em seqüência ficam melhor ainda. Muito engraçado e um bocado chocante também.

Esse espaço aqui se deve a visão do inferno proposta por Pasolini em CONTOS DE CANTERBURY (baseada na pintura O ULTIMO JULGAMENTO de Hieronymus Bosch). A visão do purgatório feita por um genial e infernal cineasta que nunca será esquecido.

Zézero

Há quase 2 anos atrás abri um post falando do mestre Ozualdo R. Candeias. Na ocasião, citei a genialidade do seu média metragem ZÉZERO e cheguei a contar a historinha completa, já que o filme era coisa de museu, difícil de encontrar até mesmo na web. Mas eis que me deparo com o filme em 3 partes postado por alguma alma iluminada no youtube. Justiça seja feita a este que é possivelmente um dos melhores e mais irreverentes filmes brasucas de todos os tempos. Divirtam-se!

Taking Off

Em 1970, Milos Forman era um cineasta tcheco que chegava em Hollywood como mais uma promessa da geração 70 formada por Scorsese, Coppola, Spielberg, Hooper e cia. Ao longo da sua carreira norte-americana, faturou o Oscar principal duas vezes com os seus geniais UM ESTRANHO NO NINHO e AMADEUS. Foi também responsável pela lotação de salas de cinema ao redor do mundo com uma filmografia invejável que inclui filmaços como HAIR, RAGTIME, O POVO CONTRA LARRY FLYNT, O MUNDO DE ANDY e VALMONT.

No entanto, sempre que Milos Forman vira assunto de uma conversa comigo, não penso duas vezes em citar meu filme favorito. Sua estréia em Hollywood foi em 1971 com um longa modesto e simplesmente magnífico. TAKING OFF (em português – sic! – PROCURA INSACIÁVEL) levou o Prêmio Especial do Juri no Festival Cannes e é, até hoje, o mais perfeito retrato da geração flower power (perdão EASY RIDER, mas é a realidade). Conta a história de uma jovem aristocrata que foge de casa para viver seus sonhos de liberdade com um bando de hippies. Ao invés de acompanhar a menina, a câmera de Forman dá preferência para a angústia dos pais. Uma busca de porquês que culmina numa das mais geniais e irônicas sequências “legalize” já feitas no cinema.

Esse post tem como objetivo único mostrar essa cena maravilhosa e louvar mais uma vez um filme genial de um cineasta iluminado.

Dossiê Rê Bordosa

rebordosa

 

Meu presente de natal. Ela, a única, a musa bukowskiana da minha adolescência espinhenta Rê Bordosa, em stop motion para altinhos. Viva a ídala dos tempos em que Chiclete com Banana era arte de vanguarda e não essa tosqueira baiana feita pra embalar beijo na boca nos carnavais soteropolitanos. Amém Angeli, amém Laerte. Rê Bordosa is not dead! Sem mais delongas, DOSSIÊ RÊ BORDOSA (2008, direção de César Cabral) em 2 capítulos.

Horror no cinema brasileiro CCBB RJ

vampirochumbinho

Amantes cariocas do cinema udigrudi, tremei! Do dia 22 de dez a 10 de janeiro o CCBB oferece a mostra do título, reunindo a nata do cinema tupiniquim que alguns chamam de marginal, outros de cinema de invenção e alguns outros preferem chamar de terrir. Gente do calibre de José Mojica, Ody Fraga, Jean Garrett, Ivan Cardoso, Elyseu Visconti, Carlos Hugo Cristensen e muito mais… Mas nada se compara a sessão especial maldita do dia 08, AS TARAS DO MINI VAMPIRO, direto da Boca, o meu, o seu, o nosso, anão Chumbinho! Sim, o nosso amuleto da sorte fugiu da gaveta de cuecas do Adamastor para mostrar todos os dotes que o consagraram como nosso mais querido galã do cinema nacional. Segue programação. Divirtam-se!

Dia 22/12 (terça))
- 15h – O JOVEM TATARAVÔ (1936), de Luiz de Barros
- 17h – FANTASMA POR ACASO (1946), de Moacyr Fenelon
- 19h – VENENO (1952), de Gianni Pons

Dia 23/12 (quarta):
- 15h – À MEIA NOITE LEVAREI SUA ALMA (1964), de José Mojica Marins
- 17h – ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER (1967), de. José Mojica
Marins
- 19h – ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO (2008), de José Mojica Marins

Dias 24 e 25/12 (quinta e sexta): o cinema estará fechado

Dia 26/12 (sábado):
- 16h – DESPERTAR DA BESTA (1969), de José Mojica Marins.
- 18h – LOBISOMEM, O TERROR DA MEIA-NOITE (1972), de Elyseu Visconti
Cavalleiro
- 20h – A FORÇA DOS SENTIDOS (1979), de Jean Garrett

Dia 27/12 (domingo):
- 15h – A REENCARNAÇÃO DO SEXO (1981), de Luiz Castilini
- 17h – ENIGMA PARA DEMÔNIOS (1975), de Carlos Hugo Christensen
- 19h – THE RITUAL OF DEATH / RITUAL MACABRO (1991), de Fauzi Mansur

Dia 29/12 (terça):
- 15h – AS SETE VAMPIRAS (1986), de Ivan Cardoso
- 17h – O SEGREDO DA MÚMIA (1981), de Ivan Cardoso
- 19h – UM LOBISOMEM NA AMAZÔNIA (2005), de Ivan Cardoso

Dia 30/12 (quarta):
- 15h – EXCITAÇÃO (1977), de Jean Garrett
- 17h – O ESTRIPADOR DE MULHERES (1978), de Juan Bajon
- 19h – THE RITUAL OF DEATH / RITUAL MACABRO (1991), de Fauzi Mansur

Dias 31/12 e 1º/01 (quinta e sexta): o cinema estará fechado

Dia 2/01 (sábado):
- 16h – PECADO NA SACRISTIA (1975), de Miguel Borges
- 18h – OLHOS DE VAMPA (1996), de Walter Rogério
- 20h – O FIM DA PICADA (2009), de Christian Sagaard

Dia 3/01 (domingo):
- 15h – A MULHER DO DESEJO (A CASA DAS SOMBRAS) (1975), de Carlos Hugo
Christensen
- 17h – 3 Episodios: “Solo de Violino”(1980), de Ody Fraga; “O
Gafanhoto”(1981), de John Doo; “O Pasteleiro”(1981), de David Cardoso
- 19h – MANGUE NEGRO (2008), de Rodrigo Aragão

Dia 5/01 (terça):
- 15h – O JOVEM TATARAVÔ (1936), de Luiz de Barros
- 17h – FANTASMA POR ACASO (1946), de Moacyr Fenelon
- 19h – VENENO (1952), de Gianni Pons

Dia 6/01 (quarta):
- 15h – À MEIA NOITE LEVAREI SUA ALMA (1964), de José Mojica Marins
- 17h – ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER (1967), de José Mojica
Marins
- 19h – ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO (2008), de José Mojica Marins

Dia 7/01 (quinta):
- 15h – A REENCARNAÇÃO DO SEXO (1981), de Luiz Castilini
- 17h – ENIGMA PARA DEMÔNIOS (1975), de Carlos Hugo Christensen
- 19h – O MANÍACO DO PARQUE (2009), de Alex Prado

Dia 8/01 (sexta):
- 15h – AS SETE VAMPIRAS (1986), de Ivan Cardoso
- 17h – O SEGREDO DA MÚMIA (1981), de Ivan Cardoso
- 19h – UM LOBISOMEM NA AMAZÔNIA (2005), de Ivan Cardoso
- 21h – SESSÃO MALDITA:
AS TARAS DO MINI VAMPIRO (1987), de José Adalto Cardoso

Dia 9/01 (sábado):
- 16h – EXCITAÇÃO (1977), de Jean Garrett
- 18h – O ESTRIPADOR DE MULHERES (1978) Juan Bajon
- 20h – SHOCK (1984), de Jair Correia

Dia 10/01 (domingo):
- 15h – A MULHER DO DESEJO (A CASA DAS SOMBRAS)
(1975), de Carlos Hugo Christensen
- 17h – ‘3 Episodios: “Solo de Violino”(1980), de Ody Fraga; “O
Gafanhoto”(1981), de John Doo; “O Pasteleiro”(1981), de David Cardoso
- 19h – ‘MANGUE NEGRO (2008), de Rodrigo Aragão

Ataque de Pânico

 

Alguns inocentes “golpes” de marketagem dão certo… Fede Alvarez, um publictário uruguaio de 30 anos, juntou alguns amigos bambas em computação gráfica para realizar esse curta-metragem de 5 minutos. Alegou ter gasto 500 dólares na realização do filme (me engana que eu gosto!) e botou pra circular na rede há 2 semanas atrás. O vídeo já é hit no youtube e vai quebrar a barreira de 1 milhão de views logo, logo.

Não é pra menos. Num país onde a tradição cinematográfica é quase nula, ver esse ATAQUE DE PÂNICO causa, de imediato, o espanto absoluto. É irretocável e assustador! Se as marcas Steven Spielberg ou Roland Emmerich estivessem no curta, ninguém ia duvidar da procedência. Um roteiro bobinho que serve de fio condutor para mostrar em 5 minutos Montevideo sendo invadida por robôs gigantes. NADA TOSCO! É de um rigor técnico e estético capaz de deixar qualquer criador de blockbuster hollywoodiano de cabelo em pé. Tanto que os direitos do curta já estão sendo disputados a tapa por alguns dos maiores estúdios americanos. Aguarde porque, em breve, teremos um longa sci-fi arrasa quarteirão comandado por um ermano uruguaio.

Mas dizer que só custou 500 dólares é sacanagem, né não?

Pausa nos trabalhos

Caros leitores, seguidores, fãs e amantes.

Meu mau humor tem extrapolado os limites da civilidade humana. Mulher, filha, família, amigos… Niguém mais me aguenta. Na verdade, nem eu me aguento mais. Como o patrão Adama me restringe aos filmes e não me deixa usar isso aqui como divã, resolvi fazer o que todo nerd maníaco depressivo sócio compulsivo deveria fazer… Inaugurei um blog pra mostrar em prosa, poesia e imagens toda a raiva que um devoto do agnosticismo-criacionista-bigbangueano tem pra destilar… Lembrem-se que o dono ladra mas não morde. Todos são bem vindos!

www.inferozmente.blogspot.com

ANTICHRIST, Lars Von Trier

antichrist-posterOs escalpeladores de nazistas do Tarantino mereciam espaço aqui no udigrudi. Mas infelizmente vacilei por ter visto ANTICHRIST e os INGLORIOUS BASTERDS, apesar de geniais, ficaram na reserva. Em termos de bizarrice, o registro desse último nocaute do Lars Von Trier não poderia passar despercebido.

ANTICRISTO é mais um legítimo exemplar do rigor estético do genial criador de EUROPA, DOGVILLE e DANCER IN THE DARK. É também seu filme mais perturbador e chocante, fazendo seu IDIOTERN parecer produção Disney. Uma crítica feroz a instituição família travestido de terror. Horror descaradamente realista, erótico e venéreo.

No prólogo, um casal transa ardentemente enquanto seu filho pequeno morre num acidente doméstico. E filme segue por três atos onde o pai, psicólogo, tenta consolar o colapso nervoso da mãe. Apesar das regressões e hipnoses, a dor da mulher só é aliviada pelo apetite sexual. Transas cada vez mais ardentes e insanas. Quanto maior o sofrimento, mais violento se torna o relacionamento. Um crescendo que vai da penitência ao flagelamento, até culminar na invocação do próprio Anticristo.

ANTICRISTO radicaliza logo nos primeiros minutos, lançando mão de um artifício que Trier já utilizara em IDIOTERN. Uma breve imagem pornográfica de penetração. Mas isso é apenas um grão de areia diante da sucessão de imagens que fuzilam e amedrontam o espectador como uma roleta russa. Cabeças em privada, mordidas, vísceras de animais com personalidade, mutilações, corpos e sangue aos montes. Sangue polêmico como na já antológica imagem de Charlotte Gainsbourg cortando o próprio clitóris com uma tesoura. O caos anunciado por uma raposa selvagem. Inacreditável e espetacular.

Antiscristo somos nós, cidadãos sócio politicamente corretos e respeitáveis. Maridos e esposas em busca de alimento, sexo, reprodução e conforto. Isso custa dinheiro. Para ganhar dinheiro você precisa trabalhar. E para trabalhar você se desliga do seu verdadeiro eu. Vira apenas escravo do just business. No pouco tempo que sobra, rotinas e descanso. Quando casa e tem filhos deixa de vez de ser você. Deveres morais, conjugais e prole.

Você se entrega a família e percebe que o seu verdadeiro eu não se manifesta há anos. Alguns se adaptam bem, outros não. Para se enquadrar você deve buscar o seu paraíso, seu Éden. Gostando, fingindo ou se acomodando com a estrutura social e moral. Não entrou no esquema, “encarna” o demo. Rotina, família e deveres que te levam a tristeza, dor e desespero (os três atos do filme, diga-se de passagem). Diante da tríade de sofrimento uns viram mendigos, outros enchem a cara ou se entorpecem. Há os que surtam ou se mutilam. E há os que matam ou se matam. Enfim, somos nosso próprio caos.

O filme pode parecer um “quero ser David Cronenberg”, mas o gênio canadense utiliza o choque e a repulsa como elementos fantásticos nos seus filmes. Trier, pelo contrário, tenta chocar sendo o mais cru e realista possível, tentando dissociar qualquer vestígio de fantasia da sua obra. O sobrenatural é apenas imaginação e delírio. Mas o horror é a realidade de ser e estar vivo diante de uma situação inevitável de frangalho emocional.

Por outro lado, Lars Von Trier finaliza homenageando Andrei Tarkovsky, de quem, de fato, o filme parece ter se inspirado bastante. Fotografia, brumas e sonhos que lembram SOLARIS e STALKER. Mas também parece ter alguma influência de IMPERIO DOS SENTIDOS, de Nagisa Oshima. Enfim, é lindo, denso, profundo, assustador e muito, muito chocante para qualquer espectador não preparado. Deleite-se. Se puder…

Pierrot le fou

pierrotlefouNada na minha ideologia de vida bate com o padrão normal. Talvez por isso, amor pra mim signifique Godard, Belmondo e Karina em PIERROT LE FOU. Não porque é um dos melhores filmes da minha vida. E sim porque é um filme romântico que trata o amor como algo improvável e incerto. Na verdade, o amor em PIERROT LE FOU nada mais é do que uma desculpa esfarrapada para que os personagens possam romper com suas realidades para viver uma grande aventura. Uma história de amor entre duas figuras que não fazem a menor questão de amar. Só querem mesmo é fugir da banalidade de seus cotidianos.

Ferdinand mata um sujeito e foge com sua ex-amante Marianne, deixando para trás esposa, filha e bens materiais. Um legítimo on the road à francesa, onde o casal busca um lugar ao sol. Enfrentam barreiras, perseguições, esconderijos, violência e intrigas, sempre conscientes de que happy endings não existem. Fogem e transam apenas pelo prazer de alguns segundos numa nova vida. Isso basta.

Uma fábula sobre a impossibilidade do amor clichê eternizado pelo grande cinema de entretenimento. Sabemos que viver de amor é algo improvável demais e por isso, o filme pontua essa impossibilidade com a brutalidade da sociedade padronizada. Dois personagens buscando seus próprios destinos, a liberdade de ser e estar além da sólida estrutura social e hierárquica que os cerca. É possível viver um grande amor ignorando os pilares da moral, da família, dos costumes e dos dogmas? Godard deu sua resposta de forma ácida e negativa em 1965. O que será que ele pensa sobre isso hoje em dia, tempos da informação instantânea e do amor virtual?

Pierrot le fou é uma baita paródia ao cinema mentirinha de Hollywood, mostrando que o buraco é muito mais embaixo e que um homem não é capaz de vencer exércitos inteiros para viver em paz com sua donzela. Aliás, nem sempre a donzela é exatamente o melhor modelo de donzela. Marianne (como bem ilustra o vídeozinho aí em cima) tem plena consciência que Ferdinand é nada mais do que carne sexual. Já Ferdinand, traduz seus impulsos de fuga do mundo real acreditando no amor, mas, no fundo, sabe que quer apenas viver intensamente longe das amarras. Ironicamente, passa o filme todo tentando se livrar dessas amarras para, no final, ser vencido literalmente por uma “amarra”.

Um banho de cinema! Junto de ACOSSADO (filme cuja visão de amor tem muito em comum com PIERROT LE FOU), é talvez o melhor momento de Godard nas telas. No jeito de falar dos impulsos e do amor, continua sendo um raro exemplar do cinema. Mas no contexto violento e estético, influenciou alguns ótimos filmes como TERRA DE NINGUÉM (BADLANDS, Terence Mallick), CORAÇÃO SELVAGEM (WILD AT HEART, David Lynch) e ASSASSINOS POR NATUREZA (NATURAL BORN KILLERS, Oliver Stone).

Dramaturgia Fotográfica

Fotografia? Isso aí. Antes de começar, atenção. Já sou um senhor respeitável e pai de família. Tenho idade e vida sexual ativa. Mas eu quero mais… E é pra isso que serve internet. E convenhamos, tem coisa mais primitivamente artística do que a sacanagem? Pensem rápido, amigos e amigas, onde vocês se imaginam ao observar essa foto da modelo Larissa Guitarrara ao lado?

De uns tempos pra cá tenho me entusiasmado com as fotos que um velho conterrâneo de Nikiti tem postado no Facebook (Orkut morreu e Twitter é Twosco). O Alexandre Grand é fotógrafo, designer e produz ensaios que batizou de DRAMATURGIA FOTOGRÁFICA. Imagens profanas, eróticas e tesudas até a o último cabelinho da espinha. Nada vulgar e extremamente fílmico. O Adamastor, por exemplo, vai reclamar do excesso de roupa e adereços. Conheço a peça. Mas eu achei um tesão!

Além de tesudas, as fotos parecem cenas filmadas. O cinema dita o trabalho de Alexandre, também influenciado pela literatura, teatro e música. Clica atores e modelos que seguem um pré-roteiro de dramatização. Monta as cenas em locações internas ou externas, dirigindo-as como num filme e, assim, clicando a sua Dramaturgia Fotográfica.

O foco é a cena e não o modelo. A preocupação é passar uma sensação. Diz Alexandre

Bia Moraes, Renata Cunha e Daniel Renda

O resultado não deixa dúvidas da qualidade técnica das imagens. Produções caprichadas, com belos cenários e figurinos. Perfeita utilização das luzes, seja no P&B nouvellevagueano (veja as fotos da linda magrinha Renata Cunha), como nas impressionantes cores captadas nessa foto vamp-vegetariana lá embaixo. Tudo num clima meio rock´n roll. Aliás, me amarro nessa versão de Tainted Love pelo Manson que tá no videozinho. Capricho, bom gosto e, last but not least, mulheres gostosas!

Renata Cunha

Corpos deliciosos timidamente nus, mas despudoradamente agressivos. O que é raro, já que sexo agressivo e mau gosto andam lado a lado. Ao contrário do que poderia ser, os cliques conseguem dosar selvageria e sensualidade de uma forma quase lírica. Não mostra muito, mais é praticamente explícito na sugestão. Como na imediata visão de mim mesmo atrás da Guitarrara naquela foto lá de cima. A grande maioria das fotos choca e logo depois dá um puta tesão. Modelos udigrudianas de engolir a seco. Magrinhas ou gorduchinhas, porém nunca turbinadas. Mulheres de carne e osso. Como diria o Adamastor, mulheres poderosas. Senhoras absolutas do seu poder de serem devassas.

O público daqui não precisa de contra indicações para ver as outras fotos do Alexandre. Estão todos grandinhos e acostumados a coisas muito piores e sujas já indicadas por mim e pelo Adamastor. O fato é que achei relevante sugerir algo tesudo aos meus queridos leitores. Mas, ao que parece, as fotos de Alexandre Grand incomodam. Eventualmente tem fotos banidas da mídia e no Flickr, recentemente, foi censurado via e-mail da presidência. Alexandre acha divertido e se orgulha ao perceber que isto é sinal de que alguém se incomodou com o seu trabalho. Enfim, se quiserem mais, cliquem em http://www.popdrop.com.br.

Helen MirandaEddy Dread e Ana LelisRenata Cunha