Na fase da vida em que me encontro, cada lembrança da infância que surge funciona quase como heroína na veia de um viciado. O êxtase, nirvana. Isso chama-se velhice. Isso mesmo. Velhos e tarados quando constatamos que uma dessas melhores lembranças é o armário de playboys do papai. Nessa época eu folheava cada página daquelas revistas esperando a hora de virar adulto e sair pegando todas. Não peguei ninguém.
O filme era um pornô intelectualizado do Claudio Cunha, diretor de filmes como AMADA AMANTE (1978) e PROFISSÃO MULHER (1982). Mas Cunha era também o Analista de Bagé. O mentor pornógrafo da garotada punheteira. A encarnação do personagem de Veríssimo. Pegador. Comia todas.
O filme era protagonizado por Elisabeth Bacelar. Eu vi uma foto do filme com ela na Playboy. Acho que chegou a ser capa da revista. Uma delícia. Maravilhosamente imperfeita pela ausência do bisturi. Um pitéu. Só em 1984, ano de REBUCETEIO, ela fez outros 5 filmes educativos, entre eles QUANDO A B… NÃO FALTA, A GOSTO DO FREGUÊS e COISAS ERÓTICAS 2. Seu último filme foi no ano seguinte EXPERIÊNCIAS SEXUAIS DE UM CAVALO. Depois sumiu. Deve ter casado com um gringo. Eu aos 10 anos queria ser esse gringo.
Além disso, o filme foi reconhecido pelos diálogos inteligentes, gargalhadas e pau duro por tempo suficiente. Um filme genuinamente tesudo. Grotesco e belo ao mesmo tempo. Um espécie de ensaio hardcore da Playboy. Misturado a elementos de duas peças teatrais chaves na história da revista. CHORUS LINE e suas dançarinas tesudas misturado com o oba-oba todo mundo nu de OH! CALCUTÁ. Era o canto do cisne cinematográfico para a Geração Playboy. Cunha é um diretor de teatro que nos ensaios tenta extrair a ardência e a “canalidade” dos atores . Como ele define no filme “psicodramático e terapeutico, talvez o teatro de cartaz”. Um rebuceteio. Sacanagem mesmo.
Quando tenho lembranças e quero voltar a ser criança, vejo um filme como OH! REBUCETEIO. Aí me dou conta que ser adulto tem suas vantagens. Hoje posso ver esses filmes sem levar puxão de orelha ou sermão. Bom, pelo menos até agora ninguém reclamou?
Comments (10)
Excelente vídeo, obrigado!!
O bacana era que eles filmavam as surubas no mesmo teatro em que o Claudio Cunha apresentava “O Analista de Bagé”. O pessoal da suruba aparecia mais cedo, e saía quando o pessoal da peça chegava…
Cara, me corrija se eu estiver errado, mas a “protagonista principal”(perdão pelo pleonasmo) era a Eleni Bandettini (“Letícia”).
A mulher era tipo mignon, gostosíssima mas de um jeito que poderia ser sua amiga, ou seja, uma mulher ao alcance das mãos peludas de nosotros.
E eu só a vi atuando nesse filme (e o imdb também não acusa outros).
O que me leva a crer que Eleni Bandettini também se encontra em algum lugar da minha gaveta de cuecas, junto com o anão Chumbinho…
Acho que você ficou na dúvida se ninguém reclamou mesmo!!!! Mas, enfim, belo post, belíssimo vídeo!
p.s.: Tou quase me enfiando nessa gaveta de cuecas do Adamastor também! Assim que tirarem as tilápias, claro!
Li, reli, pesquisei e os únicos registros do filme indicavam a Elisabeth Bacelar como protagonista. Por associação supus se tratar da deliciosa Letícia. Estou estarrecido com o nome Eleni Bandettini, mas não duvido que a correção do Adamastor seja a informação correta. Resumindo, a foto da playboy era da personagem Letícia, mas parece que a tala musa do pornô Elisabeth Bacelar foi realmente capa da revista. Ainda vou descobrir isso.
Gostaria de saber que edição da Playboy vc viu a Leticia…ou seja a Elisabeth…gostaria de saber qq coisa a respeito da Eleni se vc souber …escreva…o que eu sei é que ela nunca mais fez filmes por não ser do meio …sua vida é bem distante deste universo!
Gostaria de saber qq coisa que seja sobre ela.
Olá.
Alguém sabe onde encontro os outros filmes com a Elizabeth Bacelar?
Muito obrigado.
Olá Andre!
Foi ao ar ontem na Tv Cultura um uqadro do nosso programa massaroca, veiculado no metrépolis, sobre a pornochanchada.
Como li e reli vários dos teustextos no blog pra escrvê-lo, gostaria de te passar o link. Espero que goste!
http://www.youtube.com/watch?v=i8lROWKftDI
Não vamos esquecer essa época do caralho do cinema por causa do Pedro Cardoso!
Abraço
Pô, bem que eu merecia um crédito nisso. Você estudou direitinho o espírito da coisa.
Os filmes selecionados foram ótimos. O texto ficou muito bom também. Mas vocês falaram muito pouco da boca do lixo. Isso é um pecado, principalmente fechando a matéria com o Ody Fraga.
De qualquer forma, vou fazer merchan e abrir o próximo tópico com o quadro. Não é todo dia que o udigrudi vai parar na televisão. hehehe
Não é teatro de “cartaz”, e sim de “catarse”.
Ninguém é Vasco!
Time que tende a inexistir.
Minha Elizabeth Bacelar e sua xonga de pêlos me deixa louco.