OZUALDO R. CANDEIAS

Cinema brasileiro clássico é coisa rara e de museu. No Brasil, pouca coisa além do cinema novo conseguiu permanecer para os arquivos históricos oficiais. Mesmo com a atuação de universidades, faculdades de cinema, cinematecas e instituições românticas que ainda acreditam na alma cineclubista, sabemos que muitas filmografias e obras particularmente importantes são bichos em extinção. Herança de um país imbecil que trata cultura como pasto e de uma ditadura implacável que nunca poupou esforços pra queimar centenas de milhares de negativos. Cortes, seqüências e filmes inteiros. Todos no forno, no mar, no lixão.

Mas o foco da conversa aqui é outro. É falar de um desses perseguidos e ignorados. Desses marginais udigrudis malditos de invenção, sei lá! Alguns o chamam de pai de todos, já que realizou o primeiro filme da geração, A MARGEM. Estou falando de Ozualdo Candeias. O cineasta mais conhecido pelo que se escreve dele do que por seus filmes propriamente ditos. Um independente puro sangue que nunca precisou de dinheiro para realizar obras controversas e geniais. Um dos precursores da Boca do Lixo.

Poucos dos seus filmes foram distribuídos em circuito comercial ou tiveram apoios do governo. Foi inspiração de toda uma linha de cineastas autorais fora do comum. Realizou filmes que com o tempo desapareceram do mapa. Filmes tão raros que nem Internet é capaz de ajudar ao cinéfilo mais atento. Youtube então, nem pensar. Tanto que o filme acima foi único que achei com Ozualdo. Por sinal, maravilhoso depoimento do mestre.

Eu conheci através dos livros. E levei alguns anos para ver seu primeiro filme, UMA RUA CHAMADA TRIUMPHO. Um registro documental do dia-a-dia da Boca do Lixo e seus personagens mais freqüentes: os cineastas, as prostitutas e os bêbados. Bacana. Depois vi A MARGEM, seu longa de estréia, e tudo virou de cabeça pra baixo. Vi LIMITE, Buñuel e Jodorowsky. Imagens variando entre rostos decadentes e paisagens de rara beleza desoladora. O lixo, a imundície e a escória de marginais errantes à beira de um Tietê profético. Surrealismo e documental misturam-se num mesmo filme. Uma catarse.

Só que é preciso alertar. Ozualdo foi uma espécie de Ed Wood intelectual. Fazia filmes geniais, mas toscos até a última raiz do cabelo. Realizava produções independentes com parcos incentivos regionais e mais uns trocados do bolso. Seus filmes apresentavam montagens inovadoras e criativas, assim como fotografias impressionantes. As atuações amadoras e muitas vezes risíveis, por vezes surpreendem. Mas não estranhe ver o lençol que camufla a barriga de uma grávida cair em cena. Os defeitos de som também chamam atenção, mas vale lembrar que boa parte dos filmes “marginais” faziam isso propositalmente. Que o diga Deus Sganzerla.

A MARGEM é um legítimo filme de arte difícil e surreal. Não é o caso de MEU NOME É TONHO, longa seguinte de Ozualdo com um roteiro redondo e linear. Conta a saga de um pistoleiro cigano que enfrenta a sanguinária gangue de um latifundiário. Um faroeste nos pampas gaúchos. Acha engraçado? Então se prepare para ver a versão brasileira de Sam Peckinpah e Sergio Leone. Os mesmo princípios, morais e costumes. Os mesmo códigos de sobrevivência. A mesma decadência e selvageria. Violento, sangrento, mal, apelativo. Tem até tiros com sangue como em Peckinpah. Mas falta dinheiro, como sempre em Ozualdo. Parece tosco e é. Mas é magnífico. Vi também outro faroeste tupiniquim dele: MANELÃO, O CAÇADOR DE ORELHAS. Dei umas risadas. Mas é muito fraco. E tosco, claro.

Morreu no ano passado no mesmo ostracismo que acompanhou toda a sua carreira. Com exceção do mundo acadêmico e crítico, poucos brasileiros se deram a trabalho de saber quem foi Candeias. Uma boa oportunidade é a mostra na Caixa Cultural do Rio que continua até o dia 20. Ainda verei outros. Termino aqui falando do melhor. Que A MARGEM que nada! O melhor do Ozualdo até agora é ZÉZERO. Um média-metragem de 31 minutos feito em 1974 e inacreditavelmente genial. Vou contar a história toda aqui porque a chance de você ver esse filme é muito próxima do zero já que se trata de exemplar de museu. Portanto, divirta-se. Mas se você acredita que ainda verá o filme, então pare por aqui e até a próxima.

O camponês vê uma fada bizarra envolta em parangolés, panos rasgados e uma coroa de rolos de negativos de filmes. Ela apresenta manchetes de jornais para ele mostrando celebridades, vida na cidade grande e dinheiro. Só efeitos sonoros. Não há diálogos.

Corta a cena e ele se despede da família, largando mãe, mulher e filhos. Vai pra cidade. Montagem quase videoclíptica mostrando agitação da cidade e sua vida miserável. Arranja emprego de pedreiro e começa ganhando 200,00 líquido (vemos no seu contra-cheque onde pecebemos que seu nome é José Piccas). Gasta o dinheiro com carnê do Baú da Felicidade, loterias, jogos e putas. O que sobra manda pra família.

O tempo passa e o salário dele vai diminuindo. Pagamento de carnês, dívidas de jogo, obrigações. Até receber 20,00 no contra-cheque. Detona nas prestações do baú e tenta comer uma puta sem pagar. Tenta estuprá-la. Ela foge e deixa ele com o pau na mão. Ele corre pro canto do mato e termina a bronha. Quando goza ouve-se pela primeira vez a sua voz em alto e bom som: PUTAQUEPARIU, GANHEI! Montagem repete 5 vezes o grito e mostra manchetes de jornais anunciando ele como novo milionário.

Corta pra casinha no interior. Ele chega de motorista e terno. Procura pela família e vê que tudo está abandonado. Um narrador diz que sua família foi dessa para uma melhor. De repente aparece a fada do início do filme na frente da casa. Ele reclama que foi a cidade enriquecer pra ajudar a família e que agora não tinha mais família. Ele pergunta: O QUE FAÇO COM TODO ESSE DINHEIRO? Ela responde: ENFIA NO CU! Montagem repete a frase 5 vezes. Tela preta, fim.

É ou não é genial?

Comments (12)

  1. mrl-x wrote::

    OZUALDO CANDEIAS. Heco produções, São Paulo.
    Portal eletrônico sobre a obra do diretor de cinema Ozualdo Candeias contendo diversos textos de análise, ensaios, resenhas de seus filmes, opiniões da critica, depoimentos, galeria de fotos, filmografia, bibliografia elaborada por Arthur Autran, etc. Concepção editorial de Eugênio Puppo e Heloisa C. Albuquerque:
    http://www.heco.com.br/candeias/

    Thursday, April 10, 2008 at 12:30 pm #
  2. mrl-x wrote::

    Artigos e Outros:

    (trabalho ainda incompleto, se você tiver mais informações, repasse, falou?)

    ****
    Artigos/reportagens/críticas sobre filmes/diretores/atores, publicadas em revistas e/ou jornais

    ALMEIDA, Miguel de. “Flagrantes de uma estética bizarra”.
    In: Folha de S. Paulo, São Paulo, 01/06/1984.
    Crítica da exposição fotográfica “A Boca”, com trabalhos de Ozualdo Candeias, ocorrida na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

    ALMEIDA, Sérgio Pinto de. “O cinema de rua de Ozualdo Candeias”.
    In: O Estado de S. Paulo, São Paulo, 06/12/1988.
    Reportagem com o cineasta abordando a sua vida e personalidade.

    ANGELO, Vitor. “A Herança”.
    Artigo eletrônico encontrado no site da Heco sobre cinema marginal:
    http://www.heco.com.br/marginal/filmes/curtas/02_03_02.php
    Crítica do filme de Ozualdo Candeias, de 1971.

    ARAÚJO, Inácio. “Diretor é capaz de unir o belo ao popular”.
    In: Folha de S. Paulo, São Paulo, 01/07/ 1993.
    Análise sobre algumas características estilísticas da obra de Ozualdo Candeias.

    ARAÚJO, Inácio. “Candeias põe a mão na cumbuca Boca do Lixo”.
    In: Folha de S. Paulo, São Paulo, 23/07/2001.
    Resenha do livro “Uma rua chamada Triunfo”, com fotografias de Ozualdo Candeias.

    ARAÚJO, Inácio. “O limbo das almas e a anomalia dos corpos”.
    Artigo eletrônico do site da Heco sobre o diretor Ozualdo Candeias:
    http://www.heco.com.br/candeias/ensaios/03_04.php

    ARAÚJO, Inácio. “A Margem”.
    Artigo eletrônico do site da Heco sobre cinema marginal:
    http://www.heco.com.br/marginal/filmes/longas/02_01_02.php
    Crítica do filme de Ozualdo Candeias, de 1967.

    AVELLAR, José Carlos. “Três notas sobre o que esta no centro da margem”.
    Artigo eletrônico do site da Heco sobre o diretor Ozualdo Candeias:
    http://www.heco.com.br/candeias/ensaios/03_02.php

    BERNARDET, Jean-Claude. “Zézero x o fantasma da castração”.
    In: Opinião, Rio de Janeiro, n. 9, 1 a 8 jan. 1973, p. 6.
    Artigo que faz um retrospecto da produção nacional em 1972 e anuncia como novidade para o ano de 1973 a produção “Zézero” de Ozualdo Candeias.

    BERNARDET, Jean-Claude. [Depoimento sobre Ozualdo Candeias]
    Artigo eletrônico do site da Heco sobre o diretor Ozualdo Candeias:
    http://www.heco.com.br/candeias/ensaios/03_01.php

    BIÁFORA, Rubem. “Um Pasolini brasileiro”.
    In: O Estado de S. Paulo, São Paulo, 05/02/1967.
    Matéria que anuncia a finalização de “A margem” de Ozualdo Candeias, e aposta no filme como grande promessa do cinema brasileiro.

    BIÁFORA, Rubem. “Fitas de Bergman, Khouri e Candeias”.
    In: O Estado de São Paulo. São Paulo, 17/12/1967.

    BIÁFORA, Rubem. “Caçada sangrenta”.
    In: O Estado de S. Paulo, São Paulo, 4/08/1974.
    Crítica de “Caçada sangrenta” de Ozualdo Candeias.

    BLANCO, Armindo. “Amor com flor e algum salame”.
    In: O Globo, Rio de Janeiro, 4/12/1967.
    Crítica de “A margem” de Ozualdo Candeias.

    BRANCO, Ivo. “Candeias, na rua do Triunfo”.
    In: Folha de S. Paulo, São Paulo, 27/03/1977.
    Reportagem e entrevista com Ozualdo Candeias, que fala dos seus filmes, sua relação com os produtores, a Embrafilme e seus projetos. Destaque para as fotos da matéria.

    CALIL, Carlos Augusto. “O marginal”.
    Artigo eletrônico do site da Heco sobre o diretor Ozualdo Candeias:
    http://www.heco.com.br/candeias/ensaios/03_03.php

    CANDEIAS, Ozualdo. “Cinema brasileiro… Uma história não erudita”.
    In: Cinegrafia, São Carlos, n. 1, julho 1974, p. 36-41.
    Relato dos principais fatos da história do cinema brasileiro segundo Ozualdo Candeias.
    Vide texto reproduzido no site da Heco sobre o diretor Ozualdo Candeias:
    http://www.heco.com.br/candeias/especiais/registro/06_06.php

    CANDEIAS, Ozualdo. “O cinema segundo Candeias”.
    Vide texto reproduzido no site da Heco sobre o diretor Ozualdo Candeias:
    http://www.heco.com.br/candeias/biografia/02_05.php

    CAKOFF, Leon. “Uma amarga terapia de oprimidos”.
    In: Folha de S. Paulo, São Paulo, 16/03/1984.
    Crítica de “A freira e a tortura”.

    CARVALHAES, Adhemar. “Khouri e Candeias”.
    In: Diário de São Paulo. São Paulo, 22/12/1967.

    “Cinema Boca do Lixo”.
    In: Revista Manchete, Rio de Janeiro, Bloch, 29/08/1970.

    COSTA, Cláudio da. “A imagem dissimétrica”.
    In: Cinemais, n. 13, set.-out. 1998, p. 91-100.

    COSTA, Flávio Moreira da. “A margem em questão”.
    In: FILME CULTURA. Rio de Janeiro, INC, ano IV, n. 18, jan/fev. 1971, p. 56-61.
    Artigo que busca definir diferenças entre o Cinema Novo e o Cinema Marginal.

    CUNHA, Wilson. “Ave sem ninho”.
    In: Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 6/02/1986.
    Crítica do filme “Manelão, o caçador de orelhas” de Ozualdo Candeias.

    CURY, Antônio Alves. “As rosas da estrada”.
    In: FILME CULTURA. Rio de Janeiro, Embrafilme, ano XV, n. 40, ago/out. 1982, p. 82-83.
    Crítica do filme “Aopção” de Ozualdo Candeias.

    EWALD Filho, Rubens. “Ozualdo Candeias – um autor, um artista”.
    In: A Tribuna, Santos, 29/03/1968.

    FACCIONI Filho, Mauro. “Os anjos e as bellas”.
    In: Cine Imaginário, Rio de Janeiro, v. III, n. 28, mar. 1988, p. 6.
    Análise que compara os filmes “Anjos da noite” (Wilson Barros, 1987) e “As bellas da Billings” de Ozualdo Candeias.

    FARIAS, Patricia. “Aventura do cinema brasileiro: anos 70”.
    In: Cinemin, n. 30, p. 15, dez. 1986.

    FERREIRA, Jairo. “Omeleto, arroz e feijão”.
    In: São Paulo Shimbun, São Paulo, 4/03/1971.
    Crítica de “A herança” de Ozualdo Candeias.
    Vite texto na edição 25 da revista eletrônica de cinema:
    http://www.contracampo.com.br/25/frames.htm

    FERREIRA, Jairo. “Candeias – Mal falada ou esquecida, a Boca do Lixo está sumindo”.
    In: Folha de S. Paulo, São Paulo, 22/07/1977.
    Entrevista em que Ozualdo Candeias fala do curta “Festa na Boca”, da decadência da região e do seu trabalho com fotos.

    FERREIRA, Jairo. “Udigrudi: os marginais do cinemão brasileiro”.
    In: LAMPIÃO da ESQUINA (Jornal), ano I, n. 3 , julho de 1978, p. 11.
    Jairo Ferreira “realiza um apanhado retrospectivo do “melhor cinema feito no país”.
    Vide análise deste artigo em RAMOS, Fernão. Cinema Marginal (1968/1973) – A representação em seu limite, p. 55-56.

    FERREIRA, Jairo. “O Imaginário da Boca – Pequenas omissões de uma obra fundamental.”
    In: FILME CULTURA. Rio de Janeiro, Embrafilme, ano XV, n. 40, ago/out, 1982, p. 76-77.
    Jairo Ferreira critica o livro do Inimá Ferreira Simões, O Imaginário da Boca, que saiu em 1981.

    FERREIRA, Jairo. “Udigrudi: 20 anos de invenção”.
    In: Jornal da Tela, v. 6, n. 28, mar.-abr. 1986, p. 16.

    FERREIRA, Jairo. “Ozualdo Candeias”.
    In: Cine Imaginário, Rio de Janeiro, v. IV, n. 43, jun. 1989, p. 8-10.
    Entrevista na qual o diretor comenta sua exposição de fotos no MIS (SP), os problemas para lançar comercialmente seus últimos filmes e as relações entre cinema e televisão no Brasil.

    FERREIRA, Jairo. “Eles estão à solta”.
    In: Cinema, v. 2, n. 9, out.-nov. 1997, p. 14-20.

    FERREIRA, Jairo. “Cinemagick – a propósito da mostra de cinema marginal”.
    Vide artigo na edição 30 da revista eletrônica de cinema:
    http://www.contracampo.com.br/30/frames.htm
    Jairo Ferreira tece considerações sobre sobre o Catálogo/Livro: Cinema Marginal e suas Fronteiras – Filmes Produzidos nas Décadas de 60 e 70, de Eugênio Puppo e Vera Haddad.

    FRAGA, Ody. “Candeias, o pioneiro”.
    In: D. O. Leitura, São Paulo, vol. II, n. 24, maio 1984, p. 14.
    Análise dos filmes “Tambaú”, “Cidade dos milagres” e “A margem” de Ozualdo Candeias.

    FRAGA, Ody. “A margem”.
    Texto para o programa Cinema/Arte/Cultura, nº 12, TV 2 Cultura.
    Vide texto reproduzido no site da Heco sobre o diretor Ozualdo Candeias:
    http://www.heco.com.br/candeias/especiais/registro/06_02.php

    FREDERICO, Carlos. “Cinema marginal Brasileiro”.
    In: PRESENÇA, n.1, 1971.
    Artigo do cineasta Carlos Frederico, diretor do flme “Possuída dos Mil Demônios”, criticando a pasmaceira do cinema nacional, informando que o “cinema brasileiro hoje, não passa de uma mecanismo industrial como outro qualquer. O CINEMA BRASILEIRO ESTÁ POR FORA”.

    FREDERICO, Carlos. “Cinema Marginalizado”.
    In: Jornal BEIJO, n. 6, maio de 1978, p. 22-24.
    Artigo do cineasta Carlos Frederico, diretor do flme “Possuída dos Mil Demônios”, traçando “algumas considerações sobre o movimento”.
    Vide análise deste artigo em RAMOS, Fernão. Cinema Marginal (1968/1973) – A representação em seu limite, p. 50-51.

    FURTADO, Filipe. “A Margem, de Ozualdo Candeias (1967)”.
    Vide texto sobre o filme, que ficou em 20º lugar, junto com “Serras da Desordem” de Andrea Tonacci, na lista dos melhores do cinema brasileiro, na enquete realizada pela revista eletrônica de cinema:
    http://www.revistapaisa.com.br/anteriores/ed9/topsbr.shtm#top20

    GARDNIER, Ruy. “O Vigilante de Ozualdo Candeias”.
    Vide texto na edição 13-14 da revista eletrônica de cinema:
    http://www.contracampo.com.br/13-14/ovigilante.htm
    Crítica do filme “O Vigilante” de Ozualdo Candeias.

    GOMES, Paulo Emilio Salles. “Zézero”.
    In: Paulo Emílio – Um intelectual na linha de frente. Organizado por Carlos Augusto Calil e Maria Teresa Machado. São Paulo, Brasiliense/Embrafilme, 1986. p. 300-302.
    Texto clássico, do maior pensador do cinema brasileiro, sobre o filme “Zézero” de Ozualdo Candeias, publicado originalmente como folheto de programa de cinema dd CEFISMA, Centro Acadêmico de Física da USP, São Paulo, 1973.
    Vide texto reproduzido no site da Heco sobre o diretor Ozualdo Candeias:
    http://www.heco.com.br/candeias/especiais/registro/06_03.php

    GUIMARÃES, Gustavo. Carga pesada no cinema.
    In: Cine Imaginário. Rio de Janeiro, vol. I, n. 6, maio 1986, p. 5.
    Artigo sobre a mostra, dedicada a Ozualdo Candeias, organizada pelo cineclube Estação Botafogo.

    LIMA, Antonio. “O amor e a vida à margem do rio”.
    In: Jornal da Tarde, São Paulo, 19/12/1967.

    MANCHETE, Revista. “Cinema Boca do Lixo”.
    In: Revista Manchete. Rio de Janeiro, Bloch, 29/08/1970.

    MELO, Luís Alberto Rocha. “Jairo Ferreira e a crítica de Invenção: Impressionismo de atrações”.
    Vide texto na edição 80 da revista eletrônica de cinema:
    http://www.contracampo.com.br/80/livrojairo.htm
    Apreciaçõe sobre o livro Jairo Ferreira: Críticas de Invenção – Os anos do São Paulo Shimbun, organizado por Alessandro Gamo e editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, Coleção Aplauso, no ano de 2007, com 288 páginas, contendo “uma parcela da produção critica de Jairo Ferreira relativa aos anos de 1966-1972”.

    MILARÉ, Sebastião. “Meu nome é Tonho”.
    In: Folha da Tarde, São Paulo, 5/06/1970.
    Crítica de “Meu nome é Tonho” de Ozualdo Candeias.

    MONTEIRO, José Carlos. “Meu nome é Tonho”.
    In: O Globo, Rio de Janeiro, 11/03/70.
    Crítica do filme “Meu nome é Tonho” de Ozualdo Candeias.

    MOTTA, Carlos Maximiano. “Filme é como os outros deveriam ser mas não são”.
    In: O Estado de São Paulo, São Paulo, 21/12/1967.
    Crítica do filme “A margem” de Ozualdo Candeias.

    ORICCHIO, Luiz Zanin. “Candeias filma saga dos bóias-frias”.
    In: O Estado de S. Paulo, São Paulo, 11/11/1992.
    Artigo sobre “O Vigilante” e sua premiação no Festival de Brasília.

    PEREIRA, Miguel. “Filme de arte: A Margem”.
    In: O Globo, Rio de Janeiro, 29/11/1967

    RAMOS, Luciano. “Entre o elogio e a denúncia, Candeias ficou com a ironia”.
    In: Jornal da Tarde, São Paulo, 7/08/1974.
    Crítica do filme “Caçada sangrenta” de Ozualdo Candeias.

    RODRIGUES, Jaime. “A Margem, um filme admirável”.
    In: Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 2/03/1968.
    Texto sobre o filme “A Margem” de Ozualdo Candeias.

    RODRIGUES, João Carlos. “Pai contra filho (e vice versa)”.
    Artigo eletrônico encontrado no site da Heco sobre cinema marginal:
    http://www.heco.com.br/marginal/ensaios/03_05.php
    e também na edição 39/40 da revista eletrônica de cinema:
    http://www.contracampo.com.br/39/frames.htm

    SACRAMENTO, Paulo. “Triunfo na derrota”.
    Artigo eletrônico encontrado no site da Heco sobre cinema marginal:
    http://www.heco.com.br/marginal/ensaios/03_06.php

    SENADOR, Daniela Pinto. “A Margem versus Terra em Transe: Estudo sobre a ascensão de Ozualdo Candeias no universo cinematográfico”.
    Vide texto eletrônico no site:
    http://www.eca.usp.br/caligrama/n_3/DanielaSenador.pdf

    SIMÕES, Inimá Ferreira. “A Boca do cinema”.
    Artigo eletrônico do site da Heco sobre o diretor Ozualdo Candeias:
    http://www.heco.com.br/candeias/filmes/04_01.php

    TAMBELLINI, Flávio. “Insurreição contra a derrota”.
    In: FILME CULTURA, Rio de Janeiro, INC, nº 4/Março e Abril, 1967, p. 2.

    Observações sobre o ciclo de debates da mostra no Rio do Cinema Marginal que aconteceu em 2001 no Rio de Janeiro.

    VELOSO, Geraldo. “Por uma arqueologia do ‘outro’ cinema”.
    Série de 5 artigos (I, II, III, IV e V-Final), O Estado de Minas (Jornal), Caderno 2, Seção de Cinema, p. 5, dias 17, 24 e 31/05/1983 e 07 e 14/06/1983.
    O diretor de “Perdidos e Malditos”, de 1970, faz um retrospecto histórico, de cunho pessoal, do cinema marginal. O critico Fernão Ramos em seu livro Cinema Marginal (1968/1973) – A representação em seu limite, p. 56-59, considera esta série de 5 artigos como “dos mais interessantes artigos publicados sobre o movimento”.

    VIANNA, Moniz. “A margem”.
    In: Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 18/04/1968.
    Vide texto reproduzido no site da Heco sobre Ozualdo Candeias:
    http://www.heco.com.br/candeias/especiais/registro/06_01.php
    Crítica do filme “A margem” de Ozualdo Candeias.

    VIEIRA, João Luiz. “Horizonte perdido”.
    In: Caderno de Crítica, Rio de Janeiro, n. 1, maio 1986, p. 37-38.
    Vide texto reproduzido no site da Heco sobre o diretor Ozualdo Candeias:
    http://www.heco.com.br/candeias/especiais/registro/06_04.php
    Crítica do filme “Aopção” de Ozualdo Candeias.

    Vide análise deste artigo em RAMOS, Fernão. Cinema Marginal (1968/1973) – A representação em seu limite, p. 49-50.

    XAVIER, Ismail. “O cinema moderno brasileiro”.
    In: Cinemais, Rio de Janeiro, n. 4, mar/abr 1997, p. 39-64.
    Reflexão sobre a produção dita “moderna” entre os anos 60 e 80, incluindo os filmes ligados ao Cinema Marginal.

    XAVIER, Ismail. “O Cinema Marginal Revisitado, ou o avesso dos anos 90”.
    Artigo eletrônico encontrado no site da Heco sobre cinema marginal:
    http://www.heco.com.br/marginal/ensaios/03_03.php

    XAVIER, Valêncio. “Que belo as bellas!”
    In: Jornal Imagemovimento, São Paulo, n. 3, jun. 1987.
    Crítica do filme “As bellas da Billings” de Ozualdo Candeias.

    Thursday, April 10, 2008 at 12:38 pm #
  3. mrl-x wrote::

    entrevistas/ depoimentos:

    ****
    Entrevistas e/ou Depoimentos
    CALLEGARO, João. “Entrevista com João Callegaro – O Pornográfo”
    In: Arte em Revista. CEAC – Centro de Estudos de Arte Contemporânea, São Paulo, Editora Kairós, ano 3, n. 5, maio 1981, p. 85-86.
    Texto original publicado in Artes, n. 23, 1970.

    CANDEIAS, Ozualdo. “Candeias na estrada do cinema”, de Carlos Fonseca.
    FILME CULTURA, ano II, n. 10, jul. 1968, p. 20-27.
    Bio-filmografia e entrevistas com Ozualdo Candeias, na qual ele comenta “A margem”, “O acordo” e sua premiação pelo INC como melhor diretor de 1967.

    CANDEIAS, Ozualdo e REICHENBACH, Carlos.
    Vide texto reproduzido em “Arte em Revista”. CEAC – Centro de Estudos de Arte Contemporânea, Editora Kairós, São Paulo, ano 3, n. 5, maio 1981, p. 76-79.
    Entrevista concedida para o “Ciclo do Cinema Bandido”, Org. Cineclube Oficina, propavelmente entre os anos de 1972/1973.

    CANDEIAS, Ozualdo. “Um cinema à margem”.
    In: Cinema brasileiro – 1975. Curitiba, Edições Paiol, 1975, p. 51-59.
    Entrevista, realizada por Francisco Alves do Santos, com Ozualdo Candeias na qual o diretor comenta sua carreira até aquela data.

    CANDEIAS, Ozualdo. “Candeias: o nosso cinema não tem personalidade”.
    Cinema em Close-Up, São Paulo, v. III, n. 16, [1977]. p. 16-17.
    Entrevista realizada por Emece Marks, em que o Candeias fala sobre a pornochanchada e os problemas econômicos do cinema brasileiro.

    CANDEIAS, Ozualdo.
    por SAVIETTO, Tânia & SOUZA, Carlos Roberto.
    Cadernos da Cinemateca, São Paulo, n. 4, 1980. p. 75-87.
    Depoimento importante do diretor no qual ele rememora toda a sua carreira ar tística até aquele momento.

    CANDEIAS, Ozualdo. ALMEIDA, Miguel de. “Um cineasta com os olhos nas ruas”.
    Folha de S. Paulo, São Paulo, 20/12/1981.
    Entrevista com Ozualdo Candeias, por Miguel de Almeida, abordando o seu processo criativo.

    CANDEIAS, Ozualdo. “O mito da Boca do Lixo”.
    Revista de Cinema Cisco, Goiânia, v. II, n. 7, 1987, p. 11-15.
    Entrevista, realizada por Lisbeth Oliveira, com Ozualdo Candeias onde ele repassa seus filmes e prêmios, comenta a sua relação com os festivais, a importância do filme pornográfico e das novas tecnologias.

    CANDEIAS, Ozualdo. “Ozualdo Candeias – À margem do cinema brasileiro”.
    Jornal Imagemovimento, São Paulo, n. 3, jun. 1987.
    Entrevista, realizada por Diomedio Morais, com Candeias sobre sua formação cinematográfica, seus filmes, a Embrafilme e seus diretores preferidos.

    CANDEIAS, Ozualdo. (entrevista realizada por Jairo Ferreira).
    Revista Cine Imaginário, n. 43, junho de 1989.
    http://cinema-de-invencao.blogspot.com/2007_04_01_archive.html
    Vide também Dossiê na revista eletrônica Zingu!:
    http://revistazingu.blogspot.com/2007/03/doc-filmografia.html
    e especialmente o portal da Heco sobre ele:
    http://www.heco.com.br/candeias/01.php

    COUTO, José Geraldo. “Ozualdo Candeias termina O vigilante”.
    Folha de S. Paulo, São Paulo, 1/07/1993.
    Entrevista com o diretor sobre sua carreira.

    CICLO de cinema bandido: Entrevistas.
    São Paulo, Cineclube Oficina, s.d., 52 pp.
    Entrevistas com Andrea Tonacci, Ozualdo Candeias, Carlos Reichenbach, Neville d’Almeida e Emílio Fontana.

    FERREIRA, Jairo. “Dossiê Jairo Ferreira”.
    Vide dossiê no endereço eletrônico:
    http://revistazingu.blogspot.com/2007/06/edicao-9.html
    e diversos textos de autoria do Jairo Ferreira no blogspot do Juliano Tosi:
    http://cinema-de-invencao.blogspot.com/

    MARINS, José Mojica. (Zé do Caixão). “IVAN Cardoso encontra Zé do Caixão”.
    O Estranho mundo de Zé do Caixão, Quadrinhos L&PM, Rio Grande do Sul, 1986, p. 5-9.
    Entrevista com José Mojica Marins (Zé do Caixão) realizada por Ivan Cardoso.

    REICHENBACH, Carlos e LIMA, Antonio. “Audácia”.
    Entrevista concedida para a revista ARTES, n. 21, 1970.
    Vide texto reproduzido em “Arte em Revista”. CEAC – Centro de Estudos de Arte Contemporânea, Editora Kairós, São Paulo, ano 3, n. 5, maio 1981, p. 83-84.

    REICHENBACH, Carlos. Depoimento (agosto de 1977).
    FILME CULTURA, ano XII, n. 28, fevereiro de 1978, p. 73-83.

    REICHENBACH, Carlos. “Como transformar a falta de condições em instrumento de criação”.
    Cinemais, Rio de Janeiro, n. 18, jul. ago. 1999, p. 7-48.
    Entrevista na qual o realizador repassa toda a sua carreira, incluindo o final dos anos 60 e o início dos 70.

    Thursday, April 10, 2008 at 12:41 pm #
  4. mrl-x wrote::

    DOSSIES/:

    ***

    DOSSIÊ Ozualdo Candeias. “Gênio do cinema brasileiro”. Contracampo, [Rio de Janeiro], n. 25/26, fev.mar. 2001. Revista eletrônica de cinema com número dedicado ao diretor, contendo uma entrevista, dividida em três partes, realizada por Ruy Gardnier, na Rua do Triumpho 35, Boca do Lixo, em 25 de agosto de 1999, artigos sobre os seus principais filmes e a transcrição de textos, roteiros e escritos do próprio Ozualdo Candeias:
    http://www.contracampo.com.br/25/frames.htm

    O que há para saber sobre Ozualdo Candeias? – texto de Ruy Gardnier
    Candeias, sob o signo do Escorpião – texto de Jairo Ferreira
    Depoimento Candeias – Inácio Araújo
    Quando Candeias viajou a América – texto de Ruy Gardnier
    Entrevista com Ozualdo Candeias:
    Entrevista – realizada por Ruy Gardnier em 25 de agosto de 1999
    Documentos:
    Cinema Brasileiro… uma história não-erudita – texto de Ozualdo Candeias
    roteiro de Manelão ou Caçador de Orelhas – texto de Ozualdo Candeias
    Os filmes:
    A Margem – texto de Ruy Gardnier
    O Acordo (episódio de Trilogia do Terror) – texto de Daniel Caetano
    Meu Nome É Tonho – texto de Daniel Caetano
    Uma Rua Chamada Triumpho 1 & 2 – por Juliano Tosi (ainda a aparecer)
    A Herança – texto de Juliana Fausto
    Caçada Sangrenta – texto de Eduardo Valente (ainda a aparecer)
    ZéZero – texto de Ruy Gardnier
    Candinho – texto de João Mors Cabral
    vide também texto na edição 31 da revista:
    http://www.contracampo.com.br/31/frames.htm

    A Visita do Velho Senhor – texto de Ruy Gardnier
    Aopção ou as Rosas da Estrada – texto de Ruy Gardnier
    Manelão, o Caçador de Orelhas – texto de Eduardo Valente
    vide também texto na edição 31 da revista:
    http://www.contracampo.com.br/31/frames.htm

    A Freira e a Tortura – texto de Eduardo Valente
    vide também texto na edição 31 da revista:
    http://www.contracampo.com.br/31/frames.htm

    As Bellas da Billings – texto de João Mors Cabral
    Lady Vaselina – texto de Eduardo Valente
    Sr. Póuer – reportagem sobre a produção do filme
    O Vigilante – por Juliano Tosi (ainda a aparecer)

    DOSSIÊ Ozualdo Candeias. “Ozualdo Candeias – O Pasolini Paulista”. Revista Zingu! [São Paulo], n. 6, março 2007. Revista eletrônica de cinema dedicado ao diretor, contendo entrevista, filmografia e diversos artigos sobre os seus principais filmes:
    http://revistazingu.blogspot.com/2007/03/edicao-6.html
    Dossiê Ozualdo Candeias: Ponto de Partida Avançado
    Dossiê Ozualdo Candeias: Curtas
    Dossiê Ozualdo Candeias: A Margem, 1967
    Dossiê Ozualdo Candeias: Trilogia de Terror (episódio “O Acordo”), 1968
    Dossiê Ozualdo Candeias: Caçada Sangrenta, 1974
    Dossiê Ozualdo Candeias: Zézero, 1974
    Dossiê Ozualdo Candeias: A Opção, 1981
    Dossiê Ozualdo Candeias: A Freira e A Tortura, 1983
    Dossiê Ozualdo Candeias: O Vigilante, 1992

    Thursday, April 10, 2008 at 12:42 pm #
  5. mrl-x wrote::

    2 TESES:

    ****
    GAMO, Alessandro Constantino. Aves sem rumo: a transitoriedade no cinema de Ozualdo Candeias.
    Campinas: dissertação de mestrado apresentada ao IA-Unicamp, 2000, 99 pp.
    A partir da questão da transitoriedade, o autor analisa de forma aprofundada vários filmes de Ozualdo Candeias tais como: A margem, Manelão, o caçador de orelhas, As bellas da Billings e O vigilante.

    ****
    SENADOR, Daniela Pinto. A Margem – A ascensão de Ozualdo Candeias no universo Cinematográfico.
    Monografia de conclusão de curso. Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, 2004.

    Thursday, April 10, 2008 at 12:44 pm #
  6. mrl-x wrote::

    Valeu Blaque!
    Desculpe os lançamentos aqui.
    Se não gostar pode detonar.
    Compreendo.
    Mas penso que informação a mais nunca é demais…

    abrs
    mrl-x

    Thursday, April 10, 2008 at 12:47 pm #
  7. mrl-x wrote::

    Artigos/reportagens/críticas sobre filmes/diretores/atores, publicadas em revistas e/ou jornais

    ALMEIDA, Miguel de. “Flagrantes de uma estética bizarra”.
    In: Folha de S. Paulo, São Paulo, 01/06/1984.
    Crítica da exposição fotográfica “A Boca”, com trabalhos de Ozualdo Candeias, ocorrida na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

    ALMEIDA, Sérgio Pinto de. “O cinema de rua de Ozualdo Candeias”.
    In: O Estado de S. Paulo, São Paulo, 06/12/1988.
    Reportagem com o cineasta abordando a sua vida e personalidade.

    ANGELO, Vitor. “A Herança”.
    Artigo eletrônico encontrado no site da Heco sobre cinema marginal:
    http://www.heco.com.br/marginal/filmes/curtas/02_03_02.php
    Crítica do filme de Ozualdo Candeias, de 1971.

    ARAÚJO, Inácio. “Diretor é capaz de unir o belo ao popular”.
    In: Folha de S. Paulo, São Paulo, 01/07/ 1993.
    Análise sobre algumas características estilísticas da obra de Ozualdo Candeias.

    ARAÚJO, Inácio. “Candeias põe a mão na cumbuca Boca do Lixo”.
    In: Folha de S. Paulo, São Paulo, 23/07/2001.
    Resenha do livro “Uma rua chamada Triunfo”, com fotografias de Ozualdo Candeias.

    ARAÚJO, Inácio. “O limbo das almas e a anomalia dos corpos”.
    Artigo eletrônico do site da Heco sobre o diretor Ozualdo Candeias:
    http://www.heco.com.br/candeias/ensaios/03_04.php

    ARAÚJO, Inácio. “A Margem”.
    Artigo eletrônico do site da Heco sobre cinema marginal:
    http://www.heco.com.br/marginal/filmes/longas/02_01_02.php
    Crítica do filme de Ozualdo Candeias, de 1967.

    AVELLAR, José Carlos. “Três notas sobre o que esta no centro da margem”.
    Artigo eletrônico do site da Heco sobre o diretor Ozualdo Candeias:
    http://www.heco.com.br/candeias/ensaios/03_02.php

    BERNARDET, Jean-Claude. “Zézero x o fantasma da castração”.
    In: Opinião, Rio de Janeiro, n. 9, 1 a 8 jan. 1973, p. 6.
    Artigo que faz um retrospecto da produção nacional em 1972 e anuncia como novidade para o ano de 1973 a produção “Zézero” de Ozualdo Candeias.

    BERNARDET, Jean-Claude. [Depoimento sobre Ozualdo Candeias]
    Artigo eletrônico do site da Heco sobre o diretor Ozualdo Candeias:
    http://www.heco.com.br/candeias/ensaios/03_01.php

    BIÁFORA, Rubem. “Um Pasolini brasileiro”.
    In: O Estado de S. Paulo, São Paulo, 05/02/1967.
    Matéria que anuncia a finalização de “A margem” de Ozualdo Candeias, e aposta no filme como grande promessa do cinema brasileiro.

    BIÁFORA, Rubem. “Fitas de Bergman, Khouri e Candeias”.
    In: O Estado de São Paulo. São Paulo, 17/12/1967.

    BIÁFORA, Rubem. “Caçada sangrenta”.
    In: O Estado de S. Paulo, São Paulo, 4/08/1974.
    Crítica de “Caçada sangrenta” de Ozualdo Candeias.

    BLANCO, Armindo. “Amor com flor e algum salame”.
    In: O Globo, Rio de Janeiro, 4/12/1967.
    Crítica de “A margem” de Ozualdo Candeias.

    BRANCO, Ivo. “Candeias, na rua do Triunfo”.
    In: Folha de S. Paulo, São Paulo, 27/03/1977.
    Reportagem e entrevista com Ozualdo Candeias, que fala dos seus filmes, sua relação com os produtores, a Embrafilme e seus projetos. Destaque para as fotos da matéria.

    CALIL, Carlos Augusto. “O marginal”.
    Artigo eletrônico do site da Heco sobre o diretor Ozualdo Candeias:
    http://www.heco.com.br/candeias/ensaios/03_03.php

    CANDEIAS, Ozualdo. “Cinema brasileiro… Uma história não erudita”.
    In: Cinegrafia, São Carlos, n. 1, julho 1974, p. 36-41.
    Relato dos principais fatos da história do cinema brasileiro segundo Ozualdo Candeias.
    Vide texto reproduzido no site da Heco sobre o diretor Ozualdo Candeias:
    http://www.heco.com.br/candeias/especiais/registro/06_06.php

    CANDEIAS, Ozualdo. “O cinema segundo Candeias”.
    Vide texto reproduzido no site da Heco sobre o diretor Ozualdo Candeias:
    http://www.heco.com.br/candeias/biografia/02_05.php

    CAKOFF, Leon. “Uma amarga terapia de oprimidos”.
    In: Folha de S. Paulo, São Paulo, 16/03/1984.
    Crítica de “A freira e a tortura”.

    CARVALHAES, Adhemar. “Khouri e Candeias”.
    In: Diário de São Paulo. São Paulo, 22/12/1967.

    “Cinema Boca do Lixo”.
    In: Revista Manchete, Rio de Janeiro, Bloch, 29/08/1970.

    COSTA, Cláudio da. “A imagem dissimétrica”.
    In: Cinemais, n. 13, set.-out. 1998, p. 91-100.

    COSTA, Flávio Moreira da. “A margem em questão”.
    In: FILME CULTURA. Rio de Janeiro, INC, ano IV, n. 18, jan/fev. 1971, p. 56-61.
    Artigo que busca definir diferenças entre o Cinema Novo e o Cinema Marginal.

    CUNHA, Wilson. “Ave sem ninho”.
    In: Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 6/02/1986.
    Crítica do filme “Manelão, o caçador de orelhas” de Ozualdo Candeias.

    CURY, Antônio Alves. “As rosas da estrada”.
    In: FILME CULTURA. Rio de Janeiro, Embrafilme, ano XV, n. 40, ago/out. 1982, p. 82-83.
    Crítica do filme “Aopção” de Ozualdo Candeias.

    EWALD Filho, Rubens. “Ozualdo Candeias – um autor, um artista”.
    In: A Tribuna, Santos, 29/03/1968.

    FACCIONI Filho, Mauro. “Os anjos e as bellas”.
    In: Cine Imaginário, Rio de Janeiro, v. III, n. 28, mar. 1988, p. 6.
    Análise que compara os filmes “Anjos da noite” (Wilson Barros, 1987) e “As bellas da Billings” de Ozualdo Candeias.

    FARIAS, Patricia. “Aventura do cinema brasileiro: anos 70”.
    In: Cinemin, n. 30, p. 15, dez. 1986.

    FERREIRA, Jairo. “Omeleto, arroz e feijão”.
    In: São Paulo Shimbun, São Paulo, 4/03/1971.
    Crítica de “A herança” de Ozualdo Candeias.
    Vite texto na edição 25 da revista eletrônica de cinema:
    http://www.contracampo.com.br/25/frames.htm

    FERREIRA, Jairo. “Candeias – Mal falada ou esquecida, a Boca do Lixo está sumindo”.
    In: Folha de S. Paulo, São Paulo, 22/07/1977.
    Entrevista em que Ozualdo Candeias fala do curta “Festa na Boca”, da decadência da região e do seu trabalho com fotos.

    FERREIRA, Jairo. “Udigrudi: os marginais do cinemão brasileiro”.
    In: LAMPIÃO da ESQUINA (Jornal), ano I, n. 3 , julho de 1978, p. 11.
    Jairo Ferreira “realiza um apanhado retrospectivo do “melhor cinema feito no país”.
    Vide análise deste artigo em RAMOS, Fernão. Cinema Marginal (1968/1973) – A representação em seu limite, p. 55-56.

    FERREIRA, Jairo. “O Imaginário da Boca – Pequenas omissões de uma obra fundamental.”
    In: FILME CULTURA. Rio de Janeiro, Embrafilme, ano XV, n. 40, ago/out, 1982, p. 76-77.
    Jairo Ferreira critica o livro do Inimá Ferreira Simões, O Imaginário da Boca, que saiu em 1981.

    FERREIRA, Jairo. “Udigrudi: 20 anos de invenção”.
    In: Jornal da Tela, v. 6, n. 28, mar.-abr. 1986, p. 16.

    FERREIRA, Jairo. “Ozualdo Candeias”.
    In: Cine Imaginário, Rio de Janeiro, v. IV, n. 43, jun. 1989, p. 8-10.
    Entrevista na qual o diretor comenta sua exposição de fotos no MIS (SP), os problemas para lançar comercialmente seus últimos filmes e as relações entre cinema e televisão no Brasil.

    FERREIRA, Jairo. “Eles estão à solta”.
    In: Cinema, v. 2, n. 9, out.-nov. 1997, p. 14-20.

    FERREIRA, Jairo. “Cinemagick – a propósito da mostra de cinema marginal”.
    Vide artigo na edição 30 da revista eletrônica de cinema:
    http://www.contracampo.com.br/30/frames.htm
    Jairo Ferreira tece considerações sobre sobre o Catálogo/Livro: Cinema Marginal e suas Fronteiras – Filmes Produzidos nas Décadas de 60 e 70, de Eugênio Puppo e Vera Haddad.

    FRAGA, Ody. “Candeias, o pioneiro”.
    In: D. O. Leitura, São Paulo, vol. II, n. 24, maio 1984, p. 14.
    Análise dos filmes “Tambaú”, “Cidade dos milagres” e “A margem” de Ozualdo Candeias.

    FRAGA, Ody. “A margem”.
    Texto para o programa Cinema/Arte/Cultura, nº 12, TV 2 Cultura.
    Vide texto reproduzido no site da Heco sobre o diretor Ozualdo Candeias:
    http://www.heco.com.br/candeias/especiais/registro/06_02.php

    FREDERICO, Carlos. “Cinema marginal Brasileiro”.
    In: PRESENÇA, n.1, 1971.
    Artigo do cineasta Carlos Frederico, diretor do flme “Possuída dos Mil Demônios”, criticando a pasmaceira do cinema nacional, informando que o “cinema brasileiro hoje, não passa de uma mecanismo industrial como outro qualquer. O CINEMA BRASILEIRO ESTÁ POR FORA”.

    FREDERICO, Carlos. “Cinema Marginalizado”.
    In: Jornal BEIJO, n. 6, maio de 1978, p. 22-24.
    Artigo do cineasta Carlos Frederico, diretor do flme “Possuída dos Mil Demônios”, traçando “algumas considerações sobre o movimento”.
    Vide análise deste artigo em RAMOS, Fernão. Cinema Marginal (1968/1973) – A representação em seu limite, p. 50-51.

    FURTADO, Filipe. “A Margem, de Ozualdo Candeias (1967)”.
    Vide texto sobre o filme, que ficou em 20º lugar, junto com “Serras da Desordem” de Andrea Tonacci, na lista dos melhores do cinema brasileiro, na enquete realizada pela revista eletrônica de cinema:
    http://www.revistapaisa.com.br/anteriores/ed9/topsbr.shtm#top20

    GARDNIER, Ruy. “O Vigilante de Ozualdo Candeias”.
    Vide texto na edição 13-14 da revista eletrônica de cinema:
    http://www.contracampo.com.br/13-14/ovigilante.htm
    Crítica do filme “O Vigilante” de Ozualdo Candeias.

    GOMES, Paulo Emilio Salles. “Zézero”.
    In: Paulo Emílio – Um intelectual na linha de frente. Organizado por Carlos Augusto Calil e Maria Teresa Machado. São Paulo, Brasiliense/Embrafilme, 1986. p. 300-302.
    Texto clássico, do maior pensador do cinema brasileiro, sobre o filme “Zézero” de Ozualdo Candeias, publicado originalmente como folheto de programa de cinema dd CEFISMA, Centro Acadêmico de Física da USP, São Paulo, 1973.
    Vide texto reproduzido no site da Heco sobre o diretor Ozualdo Candeias:
    http://www.heco.com.br/candeias/especiais/registro/06_03.php

    GUIMARÃES, Gustavo. Carga pesada no cinema.
    In: Cine Imaginário. Rio de Janeiro, vol. I, n. 6, maio 1986, p. 5.
    Artigo sobre a mostra, dedicada a Ozualdo Candeias, organizada pelo cineclube Estação Botafogo.

    LIMA, Antonio. “O amor e a vida à margem do rio”.
    In: Jornal da Tarde, São Paulo, 19/12/1967.

    MANCHETE, Revista. “Cinema Boca do Lixo”.
    In: Revista Manchete. Rio de Janeiro, Bloch, 29/08/1970.

    MELO, Luís Alberto Rocha. “Jairo Ferreira e a crítica de Invenção: Impressionismo de atrações”.
    Vide texto na edição 80 da revista eletrônica de cinema:
    http://www.contracampo.com.br/80/livrojairo.htm
    Apreciaçõe sobre o livro Jairo Ferreira: Críticas de Invenção – Os anos do São Paulo Shimbun, organizado por Alessandro Gamo e editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, Coleção Aplauso, no ano de 2007, com 288 páginas, contendo “uma parcela da produção critica de Jairo Ferreira relativa aos anos de 1966-1972”.

    MILARÉ, Sebastião. “Meu nome é Tonho”.
    In: Folha da Tarde, São Paulo, 5/06/1970.
    Crítica de “Meu nome é Tonho” de Ozualdo Candeias.

    MONTEIRO, José Carlos. “Meu nome é Tonho”.
    In: O Globo, Rio de Janeiro, 11/03/70.
    Crítica do filme “Meu nome é Tonho” de Ozualdo Candeias.

    MOTTA, Carlos Maximiano. “Filme é como os outros deveriam ser mas não são”.
    In: O Estado de São Paulo, São Paulo, 21/12/1967.
    Crítica do filme “A margem” de Ozualdo Candeias.

    ORICCHIO, Luiz Zanin. “Candeias filma saga dos bóias-frias”.
    In: O Estado de S. Paulo, São Paulo, 11/11/1992.
    Artigo sobre “O Vigilante” e sua premiação no Festival de Brasília.

    PEREIRA, Miguel. “Filme de arte: A Margem”.
    In: O Globo, Rio de Janeiro, 29/11/1967

    RAMOS, Luciano. “Entre o elogio e a denúncia, Candeias ficou com a ironia”.
    In: Jornal da Tarde, São Paulo, 7/08/1974.
    Crítica do filme “Caçada sangrenta” de Ozualdo Candeias.

    RODRIGUES, Jaime. “A Margem, um filme admirável”.
    In: Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 2/03/1968.
    Texto sobre o filme “A Margem” de Ozualdo Candeias.

    RODRIGUES, João Carlos. “Pai contra filho (e vice versa)”.
    Artigo eletrônico encontrado no site da Heco sobre cinema marginal:
    http://www.heco.com.br/marginal/ensaios/03_05.php
    e também na edição 39/40 da revista eletrônica de cinema:
    http://www.contracampo.com.br/39/frames.htm

    SACRAMENTO, Paulo. “Triunfo na derrota”.
    Artigo eletrônico encontrado no site da Heco sobre cinema marginal:
    http://www.heco.com.br/marginal/ensaios/03_06.php

    SENADOR, Daniela Pinto. “A Margem versus Terra em Transe: Estudo sobre a ascensão de Ozualdo Candeias no universo cinematográfico”.
    Vide texto eletrônico no site:
    http://www.eca.usp.br/caligrama/n_3/DanielaSenador.pdf

    SIMÕES, Inimá Ferreira. “A Boca do cinema”.
    Artigo eletrônico do site da Heco sobre o diretor Ozualdo Candeias:
    http://www.heco.com.br/candeias/filmes/04_01.php

    TAMBELLINI, Flávio. “Insurreição contra a derrota”.
    In: FILME CULTURA, Rio de Janeiro, INC, nº 4/Março e Abril, 1967, p. 2.

    Observações sobre o ciclo de debates da mostra no Rio do Cinema Marginal que aconteceu em 2001 no Rio de Janeiro.

    VELOSO, Geraldo. “Por uma arqueologia do ‘outro’ cinema”.
    Série de 5 artigos (I, II, III, IV e V-Final), O Estado de Minas (Jornal), Caderno 2, Seção de Cinema, p. 5, dias 17, 24 e 31/05/1983 e 07 e 14/06/1983.
    O diretor de “Perdidos e Malditos”, de 1970, faz um retrospecto histórico, de cunho pessoal, do cinema marginal. O critico Fernão Ramos em seu livro Cinema Marginal (1968/1973) – A representação em seu limite, p. 56-59, considera esta série de 5 artigos como “dos mais interessantes artigos publicados sobre o movimento”.

    VIANNA, Moniz. “A margem”.
    In: Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 18/04/1968.
    Vide texto reproduzido no site da Heco sobre Ozualdo Candeias:
    http://www.heco.com.br/candeias/especiais/registro/06_01.php
    Crítica do filme “A margem” de Ozualdo Candeias.

    VIEIRA, João Luiz. “Horizonte perdido”.
    In: Caderno de Crítica, Rio de Janeiro, n. 1, maio 1986, p. 37-38.
    Vide texto reproduzido no site da Heco sobre o diretor Ozualdo Candeias:
    http://www.heco.com.br/candeias/especiais/registro/06_04.php
    Crítica do filme “Aopção” de Ozualdo Candeias.

    Vide análise deste artigo em RAMOS, Fernão. Cinema Marginal (1968/1973) – A representação em seu limite, p. 49-50.

    XAVIER, Ismail. “O cinema moderno brasileiro”.
    In: Cinemais, Rio de Janeiro, n. 4, mar/abr 1997, p. 39-64.
    Reflexão sobre a produção dita “moderna” entre os anos 60 e 80, incluindo os filmes ligados ao Cinema Marginal.

    XAVIER, Ismail. “O Cinema Marginal Revisitado, ou o avesso dos anos 90”.
    Artigo eletrônico encontrado no site da Heco sobre cinema marginal:
    http://www.heco.com.br/marginal/ensaios/03_03.php

    XAVIER, Valêncio. “Que belo as bellas!”
    In: Jornal Imagemovimento, São Paulo, n. 3, jun. 1987.
    Crítica do filme “As bellas da Billings” de Ozualdo Candeias.

    Thursday, April 10, 2008 at 12:48 pm #
  8. mrl-x wrote::

    TEXTO DO PAULO EMILIO SALLES GOMES:

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    Zézero

    Paulo Emílio Salles Gomes

    A moça acena para o jovem caipira com as facilidades e prazeres da grande cidade. Ele se des-pede dos amigos e da família, e parte. Na cidade brutal tudo é enlameado e sórdido: o trabalho, a morada, a comida e o sexo. Logo não terá condições de mandar dinheiro para a família. A única esperança é a loteria esportiva. A sorte o favorece, mas quando volta para casa a família está na cova. Pergunta o que vai fazer com todo aquele dinheiro e a garota-propaganda da civilização lhe dá uma resposta chula.

    No início do filme a garota-propaganda é uma sereia irrisória, louquinha, enfeitada com fitas de celulóide, cujo canto consiste num arsenal de periódicos: os jornais mais importantes do Rio e de São Paulo, as revistas sérias e as outras, a publicidade, os empregos, os crediários e as mulheres nuas.

    O cabloco ingênuo do começo de Zézero, com seu feixe de lenha no ombro, era, em ultima análise, feliz. A noção de que o dinheiro não traz felicidade se insinua, e também a idéia de que a miséria rústica é, afinal de contas, preferível à ilusão urbana. Esses arquétipos tradicionais de certo anarquismo, de certa literatura, e de certo cinema são, porém, sufocados em Zézero pela mais crua desesperança. Depois do prólogo da sereia, a história é desenvolvida de forma metódica e sem perda de tempo. Ultrapassados os umbrais da estação de Sorocaba, a miséria se revela. O caipira pratica um pouco de mendicância mas é logo aliciado pela construção civil. Num fluir do quotidiano, descrito com pontual repetição, são abertas duas ordens de parênteses, colunas mestres do âmago da fita: as cartas para família e a satisfação sexual.

    O filme permite que o espectador leia, com dificuldade, o texto ditado pelo caipira e escrito por um amigo semi-analfabeto. Seguindo a trilha de um bilhete afixado à porta de Buñuel, o cinema moderno (sobretudo Godard) tem perseguido a expressividade das palavras manuscritas, mas só encontro equivalência para a potencialidade dramática das cartas de Zézero em algumas do diário do padre Bernanos e Bresson. A brecha emotiva é porém mais funda na fita brasileira porque nela individual e social são a mesma coisa.

    A quase insuportável gravidade de Zézero, contudo, será imposta pelas cenas de sexo. Em duas ocasiões, o pobre herói se envolve com meretrizes da várzea, uma vez com dinheiro e outra sem. O tratamento visual dado às duas passagens é semelhante. Se bem que em uma o negócio é jogo, na outra, luta. A hostilidade final da prostituta que obteve algum dinheiro ilustra o conceito de que a natureza do sexo pago e do forçado é necessariamente a mesma.

    A variedade da expressão dramática é, porém, assegurada pela trilha sonora da segunda seqüência, onde predomina o rosnar de cães enfurecidos. O mesmo tema sonoro já aparecia no dia de pagamento da construção, e a associação não parece fortuita em Zézero. Ela exprime, ao seu jeito, a nostalgia anárquica por um passado mítico de relações harmoniosas, e a aspiração utópica ao trabalho, no entender de muitos, é porém tênue. Nessa fita, qualquer esperança respira mal, as duas seqüências de sexo nos marcam de forma direta e impiedosa. Há algo de inadequado e irrisório no emprego das expressões “meretrizes”, “prostituta” e na sua contratação, a propósito dessas mocinhas paulistanas caçando a subsistência nos terrenos vagos do arrebalde. Afinal, mal conhecemos as palavras novas criadas pelos freqüentadores e usadas por praticantes de uma clandestinidade sexual ao léu e a céu aberto. Algumas delas despontam confusamente na trilha sonora de Zézero, rica em criatividade e drama.

    O autor dessa obra com um rebotalho e película é Ozualdo Candeias, responsável por numerosos filmes de A margem até A herança; esse artista original e profundo foi de início muito festejado, mas em seguida seus filmes foram sendo afastados dos espectadores. Ao que tudo indica, Zézero ficará igualmente relegado ao ineditismo, o que é uma pena, inclusive porque a última fita de Candeias fulmina a chamada pornografia que anda preocupando tanta gente. É verdade que Zézero talvez fosse considerado por essa mesma gente um antídoto demasiado vigoroso.

    Paulo Emílio – Um intelectual na linha de frente. São Paulo: Brasiliense/Embrafilme, 1986, p. 300-302. Publicado como folheto de programa de cinema do CEFISMA, Centro Acadêmico de Física da USP, São Paulo, 1973.

    ****
    GOMES, Paulo Emilio Salles. “Zézero”.
    In: Paulo Emílio – Um intelectual na linha de frente. Organizado por Carlos Augusto Calil e Maria Teresa Machado. São Paulo, Brasiliense/Embrafilme, 1986. p. 300-302.
    Texto clássico, do maior pensador do cinema brasileiro, sobre o filme “Zézero” de Ozualdo Candeias, publicado originalmente como folheto de programa de cinema dd CEFISMA, Centro Acadêmico de Física da USP, São Paulo, 1973.
    Vide texto reproduzido no site da Heco sobre o diretor Ozualdo Candeias:
    http://www.heco.com.br/candeias/especiais/registro/06_03.php

    Thursday, April 10, 2008 at 1:01 pm #
  9. mrl-x wrote::

    FILMOGRAFIA:

    Longas

    A MARGEM (1967) (1967)
    Ficção, 35 mm, P&B, 96 min

    O ACORDO (1968)
    (episódio de Trilogia do terror)
    Ficção, 35 mm, P&B, 42 min

    MEU NOME É TONHO (1969)
    Ficção, 35 mm, P&B, 95 min

    A HERANÇA (1971)
    Ficção, 35 mm, P&B, 90 min

    CAÇADA SANGRENTA (1974)
    Ficção, 35 mm, Cor, 90 min

    AOPÇÃO OU AS ROSAS DA ESTRADA (1981)
    Ficção, 35 mm, P&B, 87 min

    MANELÃO, O CAÇADOR DE ORELHAS (1982)
    Ficção, 35 mm, Cor, 81 min

    A FREIRA E A TORTURA (1983)
    Ficção, 35 mm, Cor, 85 min

    AS BELLAS DA BILLINGS (1987)
    Ficção, 35 mm, Cor, 90 min

    O VIGILANTE (1992)
    Ficção, 35 mm, Cor, 77 min

    Médias

    ZÉZERO (1974)
    Ficção, 35 mm, P&B, 31 min

    O CANDINHO (1976)
    Ficção, 35 mm, P&B, 33 min

    Curtas

    TAMBAÚ, CIDADE DOS MILAGRES (1955)
    Não-ficção, 14 min, 16 mm, P&B

    POLÍCIA FEMININA (1960)
    Não-ficção, 35 mm, P&B, 10 min

    ENSINO INDUSTRIAL (1962)
    Não-ficção, 35 mm, P&B, 12 min

    RODOVIAS (1962)
    Não-ficção, 35 mm, P&B, 9 min

    AMÉRICA DO SUL (1965)
    Não-ficção, vídeo, P&B/Cor, 30 min

    CASAS ANDRÉ LUIZ (1967)
    Não-ficção, 35 mm, P&B, 10 min

    UMA RUA CHAMADA TRIUMPHO 1969/70 (1971)
    Não-ficção, 35 mm, P&B, 11 min

    UMA RUA CHAMADA TRIUMPHO 1970/71 (1971)
    Não-ficção, 35 mm, P&B, 9 min

    BOCADOLIXOCINEMA OU FESTA NA BOCA (1976)
    Não-ficção, 35 mm, P&B, 12 min

    A VISITA DO VELHO SENHOR (1976)
    Ficção, 35 mm, P&B, 13 min

    SENHOR PAUER (1988)
    Ficção, 35 mm, Cor, 15 min

    Vídeos

    O DESCONHECIDO (1972)
    Ficção, P&B, 50 min

    HISTÓRIA DA ARTE NO BRASIL (1979)
    Não-ficção, Cor, 21 episódios de 30 min

    LADY VASELINA (1990)
    Ficção, Cor, 15 min

    CINEMATECA BRASILEIRA (1993)
    Não-ficção, Cor, 13 min

    Outros
    OUTROS DOCUMENTÁRIOS REALIZADOS POR CANDEIAS

    POÇOS DE CALDAS (1956)
    Não-ficção, 35 mm, P&B
    Direção: Ozualdo R. Candeias.
    Fotografia: Eliseo Fernandes.
    Produção: Eliseo Fernandes.
    Cia. produtora: SESI.
    Documentário institucional sobre as atrações turísticas da cidade de Poços de Caldas.

    INTERLÂDIA (déc. 60)
    Não-ficção, 35 mm, P&B, 7 min
    Direção, fotografia e montagem: Ozualdo R. Candeias.
    Produção: H. Rangel.
    Cia. produtora: Rangel Filmes.
    Documentário institucional apresentando as atividades econômicas, religiosas e sociais da cidade de Espírito Santo do Pinhal.

    JOGOS NOROESTINOS (déc. 60)
    Não-ficção, 35 mm, P&B, 10 min
    Direção, fotografia e montagem: Ozualdo R. Candeias.
    Produção: H. Rangel.
    Cia. produtora: Rangel Filmes.
    Documentário sobre os VI Jogos Noroestinos, ocorridos em Campo Grande.

    MARCHA PARA O OESTE N° 3 (Campo Grande) (déc. 60)
    Não-ficção, 35 mm, P&B, 9 min
    Direção, fotografia e montagem: Ozualdo R. Candeias.
    Produção: Michel Saddi.
    Cia. produtora: Produções Michel Saddi.
    Documentário institucional sobre os progressos da cidade de Campo Grande.

    MARCHA PARA O OESTE N° 5 (Corumbá) (déc. 60)
    Não-ficção, 35 mm, P&B, 9 min
    Direção, fotografia e montagem: Ozualdo R. Candeias.
    Produção: Michel Saddi.
    Cia. produtora: Produções Michel Saddi.
    Documentário institucional sobre o desenvolvimento econômico da cidade de Corumbá.

    BASTIDORES DAS FILMAGENS DE UM PORNÔ – BR, SP – (déc. 90)
    Não-ficção, Cor, 13 min
    Direção, fotografia e produção: Ozualdo R. Candeias.
    Documentário que através das fotografias de Ozualdo Candeias registra de forma irônica a realização de um filme pornográfico.

    Ozualdo Candeias realizou grande número de reportagens para vários cinejornais nos anos 50, 60 e 70, audiovisuais institucionais nos anos 60 e 70, além de filmagens que não lograram obter uma montagem final como os materiais de origem não-ficcional referentes à Santana de Yacuma, ao lago Titicaca, ao carnaval de Puno, aos índios Guarani e ao trabalho de professoras leigas pelo interior do Brasil.

    ****
    Fonte:

    http://www.heco.com.br/candeias/extras/08_01.php

    Thursday, April 10, 2008 at 1:04 pm #
  10. mrl-x wrote::

    ZEZERO –
    (texto de aviso do Blaque: O melhor do Ozualdo até agora é ZÉZERO. Um média-metragem de 31 minutos feito em 1974 e inacreditavelmente genial. Vou contar a história toda aqui porque a chance de você ver esse filme é muito próxima do zero já que se trata de exemplar de museu. Portanto, divirta-se. Mas se você acredita que ainda verá o filme, então pare por aqui e até a próxima)

    *****

    Texto sobre ZEZERO de Vitor Angelo:

    Fonte:
    http://www.heco.com.br/candeias/filmes/medias/04_04_01.php

    *****

    ZÉZERO

    Ficção, 1974, 35 mm, P&B, 31 min

    Camponês miserável tem a visão de uma “fada”, que o convence a ir para a cidade através de fotos publicitárias e promessas. Lá, só consegue emprego na construção civil, onde o pouco que ganha gasta com apostas na loteria esportiva.

    Ninguém faz um zoom como Candeias. A cada filme do mestre do cinema marginal essa sensação se renova. O zoom foi o elemento de linguagem banalizado com o advento e a popularização das câmeras VHS. Surge como efeito especial de diversos vídeos caseiros. Atualmente, nada mais clichê do que um zoom (aproximar-se em movimento do objeto focado).

    Como o cineasta paulista consegue ainda hoje nos surpreender e chamar a atenção, em seus filmes, com esse tão desgastado movimento de câmera?

    Muito já se falou da subjetiva em A margem, mas o zoom tem sido uma de suas marcas registradas, seja na abertura de seu episódio O acordo, da Trilogia do terror, seja nas ambientações de O vigilante.

    Zézero é um dos inúmeros exemplos do poder de Candeias em dar uma leitura particular para os movimentos de câmera. Tratando de um de seus temas prediletos, a migração, Candeias desfia a construção dos meios de comunicação de massa como agentes de sedução que fazem o pobre agricultor deixar o árduo trabalho no campo para conseguir um não menos pesado trabalho na cidade. Depois de amargar na cidade, o migrante consegue ganhar na loteria. Volta para o campo, mas a família que ele deixou lá, já está morta. O filme é permeado por diversos zooms, mas curiosamente a função narrativa chave dele, que é a de aproximação, não é utilizada, pois nunca nos aproximamos da trama, nem dos personagens, nem das palavras da revista que se fecha nesse movimento. Tudo é meio entrecortado, rápido, feroz. Uma não-aproximação.

    Nesses momentos, entra o projeto artístico de Candeias. O seu cinema é o espaço do questionamento, não da identificação. O zoom é o movimento por excelência da aproximação entre espectador e filme, e, quando bem utilizado, é capaz de jogar o espectador para dentro da tela. Candeias faz o contrário, seu zoom nos joga para fora, em uma espécie de distanciamento crítico, para melhor observarmos as operações do que deseja narrar. Ninguém faz um zoom como Candeias.

    Vitor Angelo

    Thursday, April 10, 2008 at 1:09 pm #
  11. Excelente post.

    Excelentes comentários.

    Pornográfico o eslogam da Caixa Cultural: “Venha sentir a Arte”.

    Veremos se a mostra sai do eixo Rio-SP (SP também teve uma há um tempo atrás) e caminha rumo ao remoto interior do país, onde eu me escondo. Também quero sentir a arte…

    Thursday, April 10, 2008 at 6:07 pm #
  12. mrl-x wrote::

    humilde é Deus…

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    “Lá fora na periferia não existem estrelas e nós não somos imortais”.

    Jim Morrison

    ***

    mrl-x

    Monday, April 14, 2008 at 2:30 pm #