ANTICHRIST, Lars Von Trier

antichrist-posterOs escalpeladores de nazistas do Tarantino mereciam espaço aqui no udigrudi. Mas infelizmente vacilei por ter visto ANTICHRIST e os INGLORIOUS BASTERDS, apesar de geniais, ficaram na reserva. Em termos de bizarrice, o registro desse último nocaute do Lars Von Trier não poderia passar despercebido.

ANTICRISTO é mais um legítimo exemplar do rigor estético do genial criador de EUROPA, DOGVILLE e DANCER IN THE DARK. É também seu filme mais perturbador e chocante, fazendo seu IDIOTERN parecer produção Disney. Uma crítica feroz a instituição família travestido de terror. Horror descaradamente realista, erótico e venéreo.

No prólogo, um casal transa ardentemente enquanto seu filho pequeno morre num acidente doméstico. E filme segue por três atos onde o pai, psicólogo, tenta consolar o colapso nervoso da mãe. Apesar das regressões e hipnoses, a dor da mulher só é aliviada pelo apetite sexual. Transas cada vez mais ardentes e insanas. Quanto maior o sofrimento, mais violento se torna o relacionamento. Um crescendo que vai da penitência ao flagelamento, até culminar na invocação do próprio Anticristo.

ANTICRISTO radicaliza logo nos primeiros minutos, lançando mão de um artifício que Trier já utilizara em IDIOTERN. Uma breve imagem pornográfica de penetração. Mas isso é apenas um grão de areia diante da sucessão de imagens que fuzilam e amedrontam o espectador como uma roleta russa. Cabeças em privada, mordidas, vísceras de animais com personalidade, mutilações, corpos e sangue aos montes. Sangue polêmico como na já antológica imagem de Charlotte Gainsbourg cortando o próprio clitóris com uma tesoura. O caos anunciado por uma raposa selvagem. Inacreditável e espetacular.

Antiscristo somos nós, cidadãos sócio politicamente corretos e respeitáveis. Maridos e esposas em busca de alimento, sexo, reprodução e conforto. Isso custa dinheiro. Para ganhar dinheiro você precisa trabalhar. E para trabalhar você se desliga do seu verdadeiro eu. Vira apenas escravo do just business. No pouco tempo que sobra, rotinas e descanso. Quando casa e tem filhos deixa de vez de ser você. Deveres morais, conjugais e prole.

Você se entrega a família e percebe que o seu verdadeiro eu não se manifesta há anos. Alguns se adaptam bem, outros não. Para se enquadrar você deve buscar o seu paraíso, seu Éden. Gostando, fingindo ou se acomodando com a estrutura social e moral. Não entrou no esquema, “encarna” o demo. Rotina, família e deveres que te levam a tristeza, dor e desespero (os três atos do filme, diga-se de passagem). Diante da tríade de sofrimento uns viram mendigos, outros enchem a cara ou se entorpecem. Há os que surtam ou se mutilam. E há os que matam ou se matam. Enfim, somos nosso próprio caos.

O filme pode parecer um “quero ser David Cronenberg”, mas o gênio canadense utiliza o choque e a repulsa como elementos fantásticos nos seus filmes. Trier, pelo contrário, tenta chocar sendo o mais cru e realista possível, tentando dissociar qualquer vestígio de fantasia da sua obra. O sobrenatural é apenas imaginação e delírio. Mas o horror é a realidade de ser e estar vivo diante de uma situação inevitável de frangalho emocional.

Por outro lado, Lars Von Trier finaliza homenageando Andrei Tarkovsky, de quem, de fato, o filme parece ter se inspirado bastante. Fotografia, brumas e sonhos que lembram SOLARIS e STALKER. Mas também parece ter alguma influência de IMPERIO DOS SENTIDOS, de Nagisa Oshima. Enfim, é lindo, denso, profundo, assustador e muito, muito chocante para qualquer espectador não preparado. Deleite-se. Se puder…

Pierrot le fou

pierrotlefouNada na minha ideologia de vida bate com o padrão normal. Talvez por isso, amor pra mim signifique Godard, Belmondo e Karina em PIERROT LE FOU. Não porque é um dos melhores filmes da minha vida. E sim porque é um filme romântico que trata o amor como algo improvável e incerto. Na verdade, o amor em PIERROT LE FOU nada mais é do que uma desculpa esfarrapada para que os personagens possam romper com suas realidades para viver uma grande aventura. Uma história de amor entre duas figuras que não fazem a menor questão de amar. Só querem mesmo é fugir da banalidade de seus cotidianos.

Ferdinand mata um sujeito e foge com sua ex-amante Marianne, deixando para trás esposa, filha e bens materiais. Um legítimo on the road à francesa, onde o casal busca um lugar ao sol. Enfrentam barreiras, perseguições, esconderijos, violência e intrigas, sempre conscientes de que happy endings não existem. Fogem e transam apenas pelo prazer de alguns segundos numa nova vida. Isso basta.

Uma fábula sobre a impossibilidade do amor clichê eternizado pelo grande cinema de entretenimento. Sabemos que viver de amor é algo improvável demais e por isso, o filme pontua essa impossibilidade com a brutalidade da sociedade padronizada. Dois personagens buscando seus próprios destinos, a liberdade de ser e estar além da sólida estrutura social e hierárquica que os cerca. É possível viver um grande amor ignorando os pilares da moral, da família, dos costumes e dos dogmas? Godard deu sua resposta de forma ácida e negativa em 1965. O que será que ele pensa sobre isso hoje em dia, tempos da informação instantânea e do amor virtual?

Pierrot le fou é uma baita paródia ao cinema mentirinha de Hollywood, mostrando que o buraco é muito mais embaixo e que um homem não é capaz de vencer exércitos inteiros para viver em paz com sua donzela. Aliás, nem sempre a donzela é exatamente o melhor modelo de donzela. Marianne (como bem ilustra o vídeozinho aí em cima) tem plena consciência que Ferdinand é nada mais do que carne sexual. Já Ferdinand, traduz seus impulsos de fuga do mundo real acreditando no amor, mas, no fundo, sabe que quer apenas viver intensamente longe das amarras. Ironicamente, passa o filme todo tentando se livrar dessas amarras para, no final, ser vencido literalmente por uma “amarra”.

Um banho de cinema! Junto de ACOSSADO (filme cuja visão de amor tem muito em comum com PIERROT LE FOU), é talvez o melhor momento de Godard nas telas. No jeito de falar dos impulsos e do amor, continua sendo um raro exemplar do cinema. Mas no contexto violento e estético, influenciou alguns ótimos filmes como TERRA DE NINGUÉM (BADLANDS, Terence Mallick), CORAÇÃO SELVAGEM (WILD AT HEART, David Lynch) e ASSASSINOS POR NATUREZA (NATURAL BORN KILLERS, Oliver Stone).

Dramaturgia Fotográfica

Fotografia? Isso aí. Antes de começar, atenção. Já sou um senhor respeitável e pai de família. Tenho idade e vida sexual ativa. Mas eu quero mais… E é pra isso que serve internet. E convenhamos, tem coisa mais primitivamente artística do que a sacanagem? Pensem rápido, amigos e amigas, onde vocês se imaginam ao observar essa foto da modelo Larissa Guitarrara ao lado?

De uns tempos pra cá tenho me entusiasmado com as fotos que um velho conterrâneo de Nikiti tem postado no Facebook (Orkut morreu e Twitter é Twosco). O Alexandre Grand é fotógrafo, designer e produz ensaios que batizou de DRAMATURGIA FOTOGRÁFICA. Imagens profanas, eróticas e tesudas até a o último cabelinho da espinha. Nada vulgar e extremamente fílmico. O Adamastor, por exemplo, vai reclamar do excesso de roupa e adereços. Conheço a peça. Mas eu achei um tesão!

Além de tesudas, as fotos parecem cenas filmadas. O cinema dita o trabalho de Alexandre, também influenciado pela literatura, teatro e música. Clica atores e modelos que seguem um pré-roteiro de dramatização. Monta as cenas em locações internas ou externas, dirigindo-as como num filme e, assim, clicando a sua Dramaturgia Fotográfica.

O foco é a cena e não o modelo. A preocupação é passar uma sensação. Diz Alexandre

Bia Moraes, Renata Cunha e Daniel Renda

O resultado não deixa dúvidas da qualidade técnica das imagens. Produções caprichadas, com belos cenários e figurinos. Perfeita utilização das luzes, seja no P&B nouvellevagueano (veja as fotos da linda magrinha Renata Cunha), como nas impressionantes cores captadas nessa foto vamp-vegetariana lá embaixo. Tudo num clima meio rock´n roll. Aliás, me amarro nessa versão de Tainted Love pelo Manson que tá no videozinho. Capricho, bom gosto e, last but not least, mulheres gostosas!

Renata Cunha

Corpos deliciosos timidamente nus, mas despudoradamente agressivos. O que é raro, já que sexo agressivo e mau gosto andam lado a lado. Ao contrário do que poderia ser, os cliques conseguem dosar selvageria e sensualidade de uma forma quase lírica. Não mostra muito, mais é praticamente explícito na sugestão. Como na imediata visão de mim mesmo atrás da Guitarrara naquela foto lá de cima. A grande maioria das fotos choca e logo depois dá um puta tesão. Modelos udigrudianas de engolir a seco. Magrinhas ou gorduchinhas, porém nunca turbinadas. Mulheres de carne e osso. Como diria o Adamastor, mulheres poderosas. Senhoras absolutas do seu poder de serem devassas.

O público daqui não precisa de contra indicações para ver as outras fotos do Alexandre. Estão todos grandinhos e acostumados a coisas muito piores e sujas já indicadas por mim e pelo Adamastor. O fato é que achei relevante sugerir algo tesudo aos meus queridos leitores. Mas, ao que parece, as fotos de Alexandre Grand incomodam. Eventualmente tem fotos banidas da mídia e no Flickr, recentemente, foi censurado via e-mail da presidência. Alexandre acha divertido e se orgulha ao perceber que isto é sinal de que alguém se incomodou com o seu trabalho. Enfim, se quiserem mais, cliquem em http://www.popdrop.com.br.

Helen MirandaEddy Dread e Ana LelisRenata Cunha

A ERVA DO RATO

cartaz_ervaSe você clicar no alto da página em “O autor”, verá uma breve descrição que termina dizendo “Já matou aula, trabalho, festas e a família para ir ao cinema”. Creio que isso não deixa muita margem de interpretação. Uma referência direta ao clássico absoluto do udigrudi nacional MATOU A FAMÍLIA E FOI AO CINEMA (1969), obra máxima do polêmico e genial cineasta Julio Bressane. Apesar da referência, nunca escrevi um tópico onde destacasse a regularidade desse grande criador, para alguns o Godard brasileiro.

Entre poucas referências a Bressane, citei rapidamente alguns de seus filmes e sua parceria com Rogério Sganzerla na produtora Belair. Mas nunca fui a fundo. Talvez porque, mesmo ficando em estado hipnótico diante de alguns dos seus filmes, dificilmente consigo organizar palavras para descrevê-los. Um amigo uma vez me disse que “filme do Bressane é igual a poesia concreta”. Tendo a concordar. Técnicas revolucionárias de enquadramento e encenação, unindo falta de recursos e rigor técnico. Mas também demasiadamente poéticos, enigmáticos, truncados e tão difíceis que até mesmo a crítica parece um bicho de sete cabeças. Além de MATOU A FAMÍLIA, destaco clássicos como CARA A CARA (1967), O ANJO NASCEU (1969) e CUIDADO MADAME (1970) e contemporâneos como FILME DE AMOR (2003) e DIAS DE NIETZSCHE EM TURIM (2001).

No ano passado cheguei a esboçar uma pauta para analisar CLEÓPATRA, contundente visão “copacabanesca” da mais célebre rainha egípcia e seus amores romanos Julio César e Marco Antonio. O filme correu festivais, ganhou prêmios, vaias do público e críticas pra lá de positivas. Mesmo me agradando, sinceramente não consegui escrever uma linha sequer. O que dizer? Falar dos textos demasiadamente poéticos ou elogiar a bela direção de arte? Falar da Alessandra Negrini, linda e matadora? Curtir com um Falabella interpretando um Julio César misto de Caco Antibes e Olavo Bilac? Enfim, preferi o silêncio.

Decepcionado, revi pela terceira vez MATOU A FAMILIA na esperança de resenhar algo… Mais silêncio. Mas eis que enfim tenho mais uma chance de colocar Julio Bressane no índice Outros Filmes do Udigrudi. Fui conferir a cabine de A ERVA DO RATO, seu mais recente trabalho levemente inspirado nos contos de Machado de Assis A CAUSA SECRETA e UM ESQUELETO, que estréia em meia dúzia de salas do Rio e Sampa no dia 26 de junho.

Na seqüência de abertura, vemos o mar banhado pelo sol e numa só tomada em 180º somos jogados pra dentro de um decadente cemitério. alessandraLá estão Selton Mello num canto e Alessandra Negrini no outro. Na sinopse, são identificados apenas como ele e ela. No desfecho do plano seqüência, esboçamos uma gargalhada. É o cartão de visita do que teremos pela frente. Imensidão, mistério, morte e muita ironia machadiana.

Dessa externa somos jogados para dentro de uma claustrofóbica casa, onde praticamente todo o resto do filme se desenvolve. Tudo se concentra na estranha relação entre o casal central. Uma relação que começa na aproximação e, aos poucos, se mostra como uma espécie de servidão e entrega. Ele fala sobre mitologias, natureza e Rio de Janeiro, enquanto ela, obediente, anota todos os seus pensamentos. A entrega da mulher como objeto de posse do homem, quase um senhor feudal.

Aos poucos, a relação de obediência e aprendizado se transforma em servidão erótica. Ele passa a fotografá-la, primeiro em comportados vestidos. Aos poucos as roupas são descartadas e a beleza dela passa a disputar atenção com sua própria fisiologia. O interesse cada vez mais ginecológico dele faz com que relação e imagens passem a priorizar os mais íntimos orifícios. Orifícios obscuros que se transformam em objetos fotográficos de prazer guardados a sete chaves. Fetichismo no mais literal dos sentidos.

Até que a relação de fetiche chega ao limite com a chegada de um rato. Um roedor safado que se alimenta das fotografias eróticas. Um rato que deixa o casal obcecado e, quanto maior a intensidade da caça, maior a fome erótica do bichano. Até que, enfim, o pequeno bichinho encontra de fato os orifícios que tanto lhe seduzia nas fotografias. Sim, numa cena já para os anais da história cinematográfica brasileira, o ratinho devora eroticamente uma sonada e linda Alessandra Negrini. Já imaginou uma mulher e um rato transando? Preparem-se então. Está formado o triângulo amoroso improvável e fetichista.

seltonrato

Pode parecer absurdo tudo o que você leu, mas acreditem, as situações conseguem ir ainda mais além da tríade um homem, uma mulher e um rato. É onde entra a influência do conto UM ESQUELETO. Como Selton Mello diz no início do filme, nada é para sempre, mas o próprio personagem tentará reverter essa máxima. Apesar de indigesto, é de um rigor visual (mais uma vez ele, o grande fotógrafo Walter Carvalho fazendo um trabalho fantástico) e tudo ocorre numa placidez tão irritante que faz o espectador rir de tanto incômodo. As interpretações dos dois únicos atores ajudam a imprimir a força, seja pela imposição vocal levemente debochada de Selton Mello e a indiferente nudez (matadora, como sempre) de Alessandra Negrini. Ah, sim, e uma ratazana que bem poderia ser Hamlet em outra encarnação.

É talvez um dos filmes mais fáceis de Julio Bressane, o que não quer dizer que o impávido, o incômodo, o indigesto e o assustador não se façam presentes. Um filme que seduz pela repulsa. Assim como o magnânimo MATOU A FAMÍLIA… fez com tanta maestria. A ERVA DO RATO pode não ser o mais puro exemplo de cinema Bressaniano, mas é certamente uma das mais sensacionais experiências fílmicas realizadas no Brasil em muitos anos. Literalmente, trata-se de um filme que, como a Tangaracá, a tal erva do rato, é um veneno incurável para cinéfilos aventureiros em busca de transgressão no mais radical dos sentidos.

Na falta de vídeos pertinentes no youtube, não tive outra alternativa senão indexar a maravilhosa cena final de MATOU A FAMÍLIA E FOI AO CINEMA.

MATEUS, O BALCONISTA

Das entranhas da Cobal Humaitá, o outrora judoca Cavi Borges criou há pouco mais de uma década a lendária Cavideo. Uma locadora onde a ordem é ter de tudo e, quanto mais raro, melhor. Não há uma só alma cinéfila carioca que não conheça esse bagunçado e charmoso templo dos filmes.

Do sucesso locando filmes, Cavi se enveredou no universo cultural da cidade, produzindo eventos e, claro, muito cinema. No Festival do Rio de 2007, levou o prêmio de melhor curta pelo espetacular 7 MINUTOS, um mini CIDADE DE DEUS rodado em um único plano sequência. No ano passado, lançou seu primeiro longa, o delicioso documentário hip hop L.A.P.A.

Para a Oi TV Movel, Cavi dirigiu alguns episódios desse hilariante MATEUS, O BALCONISTA, contando as peripércias do dia-a-dia dentro da Cavideo. O vídeo de cima é o primeiro da série e homenageia o meu, seu, nosso guru do cinema Quentin Tarantino. Mas engraçado mesmo é o vídeo aqui embaixo. Além de hilário, é embalado por uma versão engraçadíssima da canção Chick Rabbit, música tema de DEATH PROOF, penúltimo filme de Tarantino ainda inédito nos cinemas brasileiros.

Faltou indexar o curta TARANTINO´S MIND, referenciado por Mateus no episódio lá de cima. Faço dele as minhas palavras. Uma genialidade de curta-metragem, mas não entrou aqui porque suponho que a grande maioria dos leitores já viu. Se não viram, uma busca do youtube resolve o problema.

Stripped

Na busca incessante por diversão sexual na web cheguei nesse brilhante curta dirigido por um certo Mark Jackson. Não sei se é realmente cineasta, publicitário ou um nerd virtual. O fato é que o cara é bom. Fez uma pequena peróla. Divirtam-se.

udigrudi na TV Cultura

Me apareceu hoje a tarde um post perdido num remoto tópico de OH! REBUCETEIO. O Arthur me avisou o seguinte:

“Olá Andre! Foi ao ar ontem na TV CULTURA um quadro do nosso programa MASSAROCA, veiculado no METRÓPOLIS sobre a pornochanchada. Como li e reli vários dos teus textos no blog pra escrevê-lo, gostaria de te passar o link. Espero que goste! Não vamos esquecer essa época do caralho do cinema por causa do Pedro Cardoso! Abraço”

O quadro é ótimo e nós queremos crédito… Enquanto isso, sirvam-se.

Alejandro Jodorowsky

Gostou do filminho? Trata-se de um trecho de THE HOLY MOUNTAIN, um dos melhores filmes do chileno Alejandro Jodorowsky. Um cineasta que fez poucos filmes. Também pudera. Quantas pessoas no mundo podem se dizer diretor de cinema e teatro, ator, produtor, compositor, escritor, teatrólogo, filósofo, humorista, cartunista e, completando, tarólogo? Enfim, com tantos ofícios, é mais do que justo considerá-lo um gênio do cinema por seus 7 filmes, sendo 5 deles obras-primas celebradas e premiadas. Não é todo cineasta que afirma por aí que “o cinema deve ter a força de uma pílula de LSD”.

O ensaio que fiz analisando os 7 filmes desse gênio está em http://depoisdaquelefilme.blogspot.com/2008/12/jodorowsky-gnio.html

Top 5 2008 – Musas Udigrudi

1.

ESTOMAGO foi talvez o grande filme nacional do ano. Roteiro primoroso, direção precisa de Marcos Jorge e uma interpretação mais do que inspirada do João Miguel. Mas Fabiula Nascimento roubou a atenção. Sua magistral atuação como uma prostituta glutona arrancou gargalhadas, fome e suspiros de mim e do Adamastor. Paixão sacramentada na cena em que faz um strip chupando pirulito. Quem não viu o filme, pode conferir uma foto no link abaixo (é só procurar ela com o pirulito na galeria).

http://ego.globo.com/Gente/Fotos/0,,GF56798-9801,00-GALERIA+DE+FOTOS+VEJA+IMAGENS+DO+FILME+ESTOMAGO.html#fotogaleria=1

2.

Ele voltou com força total em 2008. Além de fechar a trilogia de Zé do Caixão iniciada em 1964, não poupou esforços para realizar o mais aterrorizante filme de terror já feito abaixo dos trópicos. Mas também escalou um elenco afiadíssimo de amigas beldades para tornar o universo do coveiro ainda mais sensual. Um festival de gostosas peladas com micro biquinis à disposição das torturas carnais do Zé. Essa aí em cima, por exemplo, é parida de dentro de um porco morto. Mas tem também sexo com banho de sangue e bifes de bundas gostosas. Um primor!

3.

A melhor trepada do ano não é brasileira e foi realizada pelo veterano cineasta Sidney Lumet. Tudo graças aos primeiros 2 minutos do ótimo e sombrio ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO. Marisa Tomei em seus poderosos 43 anos levando de quatro do Philip Seymour Hoffmann. Além da delícia que a Tomei é, nos dá esperança saber que, se um nerd como o Hoffmann tem chance, nós punheteiros do udigrudi talvez possamos sonhar também.

4.

De Hollywood vem também a delícia de musa Diablo Cody. A safadeza latente e a imperfeição plástica fazem da roteirista oscarizada por JUNO o melhor exemplo de mulher que qualquer homem gostaria de dar uns pegas. Uma mulher de carne e osso e nada turbinada que, como diz meu amigo Adamastor, qualquer um de nós pegaria. Saber então que a gostosinha já fez as vezes de stripper nos dá ainda mais água na boca. E com Oscar na estante…

5.

Darlene Gloria é, sem dúvida, uma das nossas musas históricas de ontem, hoje e sempre. Tudo bem que a idade pesa, mas seu papel em FELIZ NATAL, do Selton Mello, foi uma das maiores felicidades que tivemos em 2008. Ainda vistosa e elegante, arrasa no papel da matriarca junkie de uma família burguesa desestruturada. Mas nada supera o seu breve diálogo com Lucio Mauro, numa troca de gentilezas ímpar e que a fez figurar sem sombras de dúvida nesse top 5.

Cueca, calcinha e motel

Esse é o sugestivo título da nova crítica que fiz para o Almanaque Virtual para ENTRE LENÇÓIS, filme que estréia hoje em mais de 100 salas do país. Dirigido pelo colombiano Gustavo Nieto Rosa, o filme tem Reinaldo Gianechinni e Paola Oliveira em trajes sumários dialogando e transando no motel Vip´s da Niemeyer. Uma bomba, é claro. Mas pelo contexto geral da coisa e pelo texto que fiz, bem merecia espaço por aqui. Por isso, indico-lhes a leitura…

http://almanaquevirtual.uol.com.br/ler.php?id=16770&tipo=2&cot=1

A qualquer momento volto a dar as caras por aqui…